Inocentes abrem turnê
nacional em Curitiba
Luiz Claudio Oliveira
A banda Inocentes faz o show de estréia da turnê nacional de divulgação do novo disco, ‘‘Embalado à Vácuo’’, hoje no Circus Bar, em Curitiba. Será apenas uma apresentação em que os precursores do punk no Brasil mostram as músicas novas e também aquelas que não podem faltar, como a já clássica ‘‘Pânico em SP’’.
Por telefone, do gabinete do deputado estadual paulista Turco Loco, o líder dos Incoentes, o guitarrista Clemente, afirma que a banda mantém a tradição punk. ‘‘Estamos fazendo extamente a mesma coisa de antes, mas de maneira diferente’’, afirma. O grupo surgiu no Brasil no começo da década de 80 e era considerado um dos cabeças do movimento punk nacional.
‘‘O punk tem várias tendências, mas a gente continua fiel à chamada ‘linha 77’, o ano que surgiu o movimento na Inglaterra’’, explica, e continua: ‘‘essa linha é mais melódica, do tipo que o Clash e o Sex Pistols faziam e que hoje são retomadas por banda como o Green Day e o Rancid, por exemplo’’.
Clemente afirma que esta linha sempre foi seguida pela banda, mas de maneira mais implícita porque a velocidade é que contava pontos no começo. Na medida em que melhoraram a técnica e dominaram os instrumentos, puderam fazer exatamente o que queriam. ‘‘Na verdade é isso aí mesmo, a gente não queria admitir, mas é isso mesmo. Quando se toca melhor, dá para tocar mais devagar’’.
Clemente sempre foi considerado um líder do movimento por suas idéias e pela maneira como as colocava em suas letras. Era tido como um ‘‘poeta do punk’’. Essa linha continua, como ele explica de suas letras atuais:
- Os punks sempre foram os novos existencialistas. As letras de protesto, mais panfletárias, não são as únicas possíveis, como muita gente pensa. Podemos também ter letras mais pessoais, mais urbanas e estou investindo nesta área.
Enquanto estava ao telefone, dando entrevista, ao mesmo tempo atendia a outras ligações. ‘‘Estou no trabalho’’, justificava-se. Recebeu também a visita de alguns representantes da banda curitibana Skuba, que se apresentava a ele para buscar o patrocínio prometido pela Vision, empresa ligada ao político Turco Loco, que se elegeu defendendo o direito dos movimentos alternativos.
O disco novo dos Inocentes, ‘‘Embalado à Vácuo’’ já chegou às rádios ligadas ao rock e tem algumas músicas sendo executadas, da qual a principal é ‘‘Cala a Boca’’. Apesar de ter mais de 15 anos de estrada, a banda hoje, como conta o guitarrista, tem um público renovado. ‘‘Tem muita gente entre 14 e 18 anos, muito skatista, muito surfista e isso é bem legal’’, afirma Clemente, do alto de seus 35 anos.
O show não é só voltado ao novo CD. ‘‘É impossível deixarmos de tocar ‘Pânico em SP’. Ficamos três anos sem tocá-la e o público quase nos detonava nos shows’’. Das apresentações ao vivo, ficam fora as experimentações eletrônicas pois não há condições técnicas para usá-las.
‘‘Não sou contra a eletrônica. Quando não dá para fazer alguma coisa com a guitarra, uso a eletrônica. Desde os anos 80 tinha uma banda francesa, a Metal Urban, que usava só equipamentos eletrônicos. Eu hoje gosto de Prodigy, mas não sou fã de techno’’.
A respeito das novas bandas que resgatam a sonoridade punk dos anos 70/80, Clemente afirma que não é daqueles que gostam de falar mal do Green Day. ‘‘Gosto mais do Rancid, mas prefiro que as rádios toquem Green Day do que Só Para Contrariar’’.
Além do guitarrista e líder Clemente, os Inocentes são formados por Ronaldo (guitarra, também da formação inicial), Nonô (Bateria) e Anselmo (baixo). Os dois últimos estão na banda desde o disco ‘‘Ruas’’, lançado em 96.
‘‘Embalado à Vácuo’’ - Estréia da turnê nacional da banda Inocentes divulgando o recém lançado disco. Circus Bar (fone: 324-2351). O show começa por volta da meia-noite e os ingressos custam R$ 8,00 (com consumação) para mulheres e R$ 10,00 (com consumação) para homens.

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