Preto e Branco são dois irmãos órfãos, sem-teto, daqueles moleques inquietos que nunca conseguiriam passar tanto tempo na frente do computador. O primeiro é meio fechadão e centraliza as decisões da dupla. O segundo, extrovertido, tenta ser mais otimista. Ambos, apesar de parecerem inocentes, são bastante violentos. Os dois são protagonistas do mangá ''Preto & Branco'', de Taiyo Matsumoto, lançado no Brasil em 2001, e que estão em uma das melhores animações que pouca gente viu.
''Tekkon Kinkreet'' foi produzido pelo mesmo pessoal que fez ''Animatrix'', aquelas animações que acompanharam o lançamento dos dois últimos ''Matrix''. Dirigido pelo norte-americano Michael Arias, o desenho ficou pronto em 2006, ganhou prêmios importantes - como os do Festival Internacional de Filme de Berlim e de Tóquio - e chegou ao Brasil no final do ano passado, com distribuição da Sony.
Em uma primeira olhada, quem vê os minutos iniciais do filme chega a lembrar da ''Viagem de Chihiro'' ou ''Princesa Mononoke'', devido aos inúmeros detalhes e a perfeita fusão entre as técnicas tradicionais de animação com os efeitos de computador. Só que ''Tekkon Kinkreet'' é superior.
Primeiro devido ao teor da trama: Preto e Branco é um Peter Pan moderno, violento, cru, instigante e bonito. A inocência do visual dos personagens se mistura com suas atitudes politicamente incorretas, como vandalismo e roubo, e deixam até mesmo a máfia Yakuza e alienígenas de cabelo em pé.
A aventura surreal ganha mais dinamismo e linearidade - os ocidentais compreendem o ritmo da história de forma diferente - nas mãos do diretor norte-americano, que também convidou o duo eletrônico britânico Plaid para compor a trilha sonora. O resultado são 111 minutos de uma experiência, no mínimo, diferente. Há quem diga que nosso ''Cidade de Deus'' tenha influenciado nos cortes de câmera e enfoque dos personagens, especialmente quando o filme reflete sobre inocência/violência. Será? Divirta-se e tire suas próprias conclusões.

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