INICIATIVA - O futuro é agora
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de maio de 2013
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Como um rito de passagem, decidir sobre o futuro profissional não é tarefa fácil para ninguém. Com a conclusão do ensino médio e o ingresso no ensino superior patamar ainda restrito a uma minoria de estudantes do País -, os alunos se veem diante de um dos primeiros grandes desafios da vida: chegou a hora de finalmente saber "o que eu quero ser". O "para sempre" parece pesado demais e o maior desejo é acertar de primeira, como se na prática não tivéssemos o direito de errar e começar de novo. Lidar com as pressões da família e o excesso de expectativas pode gerar desconforto e é aí que o apoio escolar se torna fundamental.
E foi pensando nessa situação conflitante que o Colégio Marista desenvolveu um programa de suporte educacional para a "tomada de decisões". A partir do nono ano do fundamental 2, os alunos começam a participar de encontros periódicos para debater sobre os seus anseios profissionais e suas habilidades. O trabalho se intensifica no ensino médio, com um enfoque maior no terceiro ano.
Parte dessa iniciativa é a Rodada de Profissões, que neste ano aconteceu na terça-feira passada, na parte da manhã e à tarde. Profissionais de 16 áreas diferentes, selecionadas conforme a preferência dos alunos, levaram até os estudantes informações atualizadas sobre o mercado de trabalho e ainda puderam partilhar suas experiências de vida. Os cursos elencados foram: Medicina, Engenharia Elétrica, Jornalismo, Agronomia, Administração, Arquitetura, Artes Visuais, Ciências da Computação, Direito, Engenharia Civil, Psicologia, Biomedicina, Direito/Carreira Jurídica, Engenharia Mecânica, Publicidade e Nutrição.
A advogada Bethânia Marconi contou que sempre quis fazer advocacia, mas que na sua época de prestar vestibular gostaria de ter tido mais informações sobre o mercado de trabalho. "Teria entrado no curso melhor informada, mas acabei me dedicando ao direito empresarial e estou muito realizada profissionalmente", afirmou. "Acho um desafio falar para esses jovens, pois estamos tratando de sonhos, algo muito valioso. É interessante que o colégio proporcione isso a eles, pois ajuda a decidirem melhor o que vão fazer todos os dias daqui pra frente", acrescentou Bethânia, ao se preparar para a sua palestra.
Nas salas de aulas do colégio ou no auditório principal era possível perceber a atenção e a curiosidade dos alunos diante de um universo que às vezes pode parecer ameaçador. Na palestra da arquiteta Camila Forbek, o clima mais informal rendeu um bom bate-papo com os alunos. Ao lembrar que "estudar nunca é demais", ela ressaltou a importância da pesquisa teórica para embasar os projetos arquitetônicos. "Sempre precisamos agregar informações para que o projeto fique coerente e funcional. E é um mito que tenha rixa entre arquiteto e engenheiro; um depende do outro", ressaltou.
O profissional Jota Oshiro, da área de Artes Visuais, demostrou as várias possibilidades de mercado da sua profissão e do diferencial de conseguir ter uma rotina bastante dinâmica. "No campo da comunicação, sempre estamos em contato com pessoas de diversas áreas e isso agrega conhecimento, e também permite um trabalho mais autoral", destacou. Trabalhar com o que gosta também foi bastante lembrado por ele: "O trabalho se torna um peso quando não temos paixão pelo que fazemos".
Já na palestra do administrador José Antônio Fontes, o valor do trabalho em equipe foi ressaltado. "A área de Administração não é fácil, pois é muito prática e estamos sempre em busca de informações que nos ajudem a obter bons resultados e isso depende muito de terceiros. Mas é muito bom vibrarmos com o trabalho realizado em equipe", salientou.
A diretora educacional Marize Rufino lembrou que antes de iniciarem esse trabalho de apoio, há mais de dez anos, era comum os alunos apresentarem alguns sintomas de estresse, como crises de choro e sofrimento na hora da inscrição do vestibular. "É importante que sempre consideremos os talentos, vocações e desejos de cada indivíduo. É preciso ser apaixonado pelo que se faz e isso só é possível quando há identificação plena com a atividade profissional", ponderou. "Dentro da pedagogia Marista, não basta prepararmos o aluno apenas cognitivamente para ser 'um competidor' e, sim, para a vida. É preciso trabalhar sempre os valores éticos e morais, além do senso crítico", pontuou. A instituição já realizou um Fórum de Profissões aberto à comunidade em geral e pretende fazer uma nova edição em breve.


