Lousa, giz, livros, carteiras, alunos e professores. Essa parece a descrição corriqueira do ambiente escolar, mas no Colégio Estadual Hugo Simas, de Londrina, a ideia é que esse espaço seja a partir de agora envolvido em um processo dinâmico e orgânico de produção audiovisual como uma importante ferramenta de aprendizagem e expressão. A proposta foi apresentada a um grupo de alunos e professores de várias disciplinas que participaram da primeira etapa das Oficinas Audiovisuais, realizada durante três dias no colégio, há duas semanas, pelo Instituto Buriti, criado pelos cineastas Laís Bodanzki e Luiz Bolognesi.
O projeto prevê mais uma etapa presencial, daqui a quatro meses, sendo que videoconferências e outras plataformas digitais de comunicação – via o Portal Tela Brasil - serão disponibilizadas para a troca de informação permanente entre as escolas participantes e o instituto. Ao todo, dez escolas (de sete Estados brasileiros) estão participando da iniciativa, que prevê a produção de curtas-metragens sobre temas relacionados às transformações do espaço urbano, poéticas do cotidiano, arte urbana e memórias. No Paraná, o Hugo Simas é a única escola participante.
Seguindo orientações do cineasta e educador Edu Abad, os participantes foram sensibilizados a perceber o potencial de aprendizagem a partir do domínio da ferramenta da linguagem audiovisual. Conceitos básicos sobre o cinema, exibição de curtas e explicações sobre a elaboração de roteiros fizeram parte das atividades práticas iniciais. Divididos em grupos, eles ainda saíram pelos corredores e salas de aulas da escola para dar forma à criatividade e à imaginação com filmagens das histórias elaboradas por eles utilizando equipamentos simples, como câmeras fotográficas digitais e celulares.
"A ideia é que a escola utilize recursos que já dispõe; não é necessário que haja equipamentos profissionais. O objetivo é desenvolver a criatividade dos alunos e motivar o interesse deles tendo o audiovisual como foco", afirma Abad. "Sugerimos também que as escolas aproveitem seus espaços para criar cineclubes, que é uma forma de aproximar as pessoas do ambiente escolar, até para assistir a filmes produzidos por eles mesmos. É importante que haja espaço para debater sobre os filmes, como eles foram feitos e as mensagens que transmitem", acrescenta o cineasta.
A partir da exibição do curta "A Thousand Words", de Ted Chung, os participantes puderam debater sobre uma série de elementos que compõem o filme e da importância de se achar a melhor forma de contar uma história. "A técnica pode até ter certo glamour, mas a essência está na forma como a história é narrada. É isso que provoca emoção", avalia Abad. "Esperamos que o audiovisual ganhe espaço na rotina escolar e o sucesso do projeto depende da articulação entre alunos, professores e direção da escola", frisa o educador.
O professor Rodrigo Borgues, da disciplina de arte, é um entusiasta do projeto: "Os alunos convivem com essa linguagem desde que nasceram e agora terão a oportunidade de se aprofundar, pensar no processo de criação e ampliar a percepção deles do quanto o cinema é uma arte que envolve o conhecimento de várias áreas".
A professora Margareth Almeida, que leciona arte e física no Colégio Estadual Indígena Benedito Rokag, na Reserva do Apucaraninha, foi convidada a participar da oficina, juntamente com um dos seus alunos, e aprovou a iniciativa: "Isso dá oportunidade para os próprios índios mostrar o que eles querem, a partir do olhar crítico deles. É um processo bem interessante e estamos organizando um grupo de pessoas que querem aprender a produzir vídeos", informa.
Segundo a diretora auxiliar Ubiracy Lobo Moreira Silva, a proposta de criar núcleo sustentáveis de educação é benéfica ao processo de integração do aluno com a escola. "É mais uma ferramenta de aprendizagem disponível para o contraturno dos nossos alunos, que junto com os professores estão encorajados a fazer suas produções. É algo a mais além das aulas de teatro e esportes que já oferecemos fora do horário de aula. A nossa escola está aberta a isso e é muito importante estimular a criatividade do aluno", conclui.
Com patrocínio da CCR e Fundação Telefônica Vivo, o programa do Instituto Buriti tem como meta atingir cerca de 250 alunos e professores até o final de dezembro de 2014.

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