Polêmicas à parte, a Copa do Mundo 2014 oficialmente começa na próxima quinta-feira, dia 12 de junho, com o jogo de estreia entre Brasil e Croácia, às 17 horas. Contrariando os mais pessimistas de plantão – que chegaram até a acreditar (e torcer) que o evento fosse cancelado - e a iminência de protestos por todo País, o campeonato segue em frente. Diante da efervescência do momento, muitas escolas aproveitaram para trabalhar o assunto de forma pedagógica, debater as opiniões controversas e o senso de patriotismo, que parece ter sido substituído por uma apatia generalizada.
Na Escola Cemepe, o tema Copa do Mundo foi trabalhado mais enfaticamente nas aulas de matemática com os alunos do terceiro ao quinto ano. Segundo a professora Cláudia Ferreira Viana, que também é coordenadora pedagógica do Fundamental 1, o assunto não poderia ter passado em branco. "É uma demanda que eles acabam trazendo. É um assunto que gostam de falar e tínhamos que aproveitar isso em sala de aula", comenta a professora, responsável pelo ensino de matemática.
Buscando diversificar a abordagem do tema, no quinto ano o trabalho envolveu pesquisa sobre a história e origem do campeonato, os estádios da Copa e até situações-problemas relacionadas ao raciocínio matemático. "Eles tinham que calcular, por exemplo, a dimensão e capacidade de público dos estádios, o preço dos ingressos e o quanto seria gasto no transporte para se chegar até um determinado estádio", exemplifica Cláudia.
Como parte das atividades, os alunos também confeccionaram em grupo releituras da bola da Copa, a Brazuca, usando a criatividade para mostrar de forma estilizada o que gostariam que fosse representada na bola do campeonato. Teve a bola "TNT" ("Tentar Nunca Temer"), feita em vermelho para expressar o amor ao Brasil; a "Bracasire", com as iniciais dos alunos participantes e de cor branca que simboliza a paz, e a "Elgima", repleta de estrelas para representar a quantidade de vezes que se espera que o Brasil seja campeão.
Já no quarto ano, os alunos se envolveram na criação de novos mascotes para a Copa em desenhos feitos em papel. O golfinho "Gelinho" (animal que pula como um goleiro e é inteligente), o "Brasinho" (mistura de arara com calopsita, animas que emitem sons que parecem gritos da torcida) e o "Hexa" (mistura de águia, dragão, ser humano e jacaré, simbolizando força, garra e respeito dos adversários).
"Nesse trabalho é possível trabalhar dimensões, harmonia e até produção de texto, quando eles explicam a justificativa pela escolha do animal que seria o mascote", afirma a professora. No terceiro ano, o mascote Fuleco também foi motivo de rodas de conversa sobre o seu significado e que ele representa o tatu-bola que está em risco de extinção. Para reforçar a aprendizagem, os alunos ainda ganharam bilboquês feitos de garrafa PET e customizados com o tema do mascote oficial para a diversão geral.
Os alunos do segundo ano fizeram releituras em desenho a lápis feito em papel sobre a taça da Copa e não faltou criatividade. Um dos mais empolgados foi o aluno Samuel Rigon dos Santos, de 7 anos, que há dois faz aulas de futebol e também joga no time infantil do Londrina Esporte Clube, com treinos semanais no Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD). "Gosto muito de futebol e acho que o Brasil tem grandes chances de ganhar a Copa. Os melhores jogadores são o Neymar e o Pelé", afirma, com convicção, seguindo os passos do seu pai que chegou a ser jogador profissional de futebol de salão.
No primeiro ano, as principais dúvidas giraram em torno da dimensão do evento e a localização dos estádios. "Eles ficaram um pouco confusos e conversamos mais detalhadamente sobre o assunto. Eles queriam muito que tivessem os jogos aqui na nossa cidade", comenta a professora Priscila Mantovani.

Álbum da Copa
A febre em colecionar as figurinhas da Copa também não passou despercebida pelas escolas. No Cemepe, além do intervalo, os alunos do primeiro ao quinto ano podem trocar figurinha na entrada e na saída, sendo comum muitos pais participarem desse momento. "Foi interessante que isso acabou provocando uma interação social maior entre os alunos. Teve até um aluno que comprou álbum e figurinhas para um colega de sala que estava sem", observa a professora, que também está completando seu álbum.

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