Curitiba Eles pensaram no Rio de Janeiro, São Paulo e até no Brooklin, em Nova York, mas foi em Curitiba que o fotógrafo norte-americano Steven Richter e a jornalista brasileira Flávia Rocha decidiram montar a Academia Internacional de Cinema (AICC). A escola que vai reunir professores de diversos países começa o seu cronograma a partir de agosto, com a maioria das vagas para os cursos já esgotada. Antes disso, porém, está promovendo um evento gratuito nas Livrarias Curitiba (veja matéria nesta página) para debater cinema e apresentar a proposta de trabalho da escola.
Inspirada nos programas das principais escolas de cinema e vídeo do mundo, a academia está apostando num time de peso para se diferenciar de outras iniciativas semelhantes e frustradas já realizadas em Curitiba. Richter e Flávia sondavam o cenário há pelo menos três anos antes de concretizarem o projeto. ''A estrutura da cidade oferece tudo o que a produção cinematográfica necessita: boas locações, infra-estrutra e transporte fácilitado'', argumenta Flávia.
Outros diretores também têm pensamento semelhante, a contar pelo número de filmes que foram realizados em Curitiba e região nos últimos anos (''O Preço da Paz'', de Paulo Morelli, e ''Quanto vale ou é por quilo'', de Sérgio Bianchi'', para citar alguns). O cenário promissor e a carência de mão-de-obra especializada levaram Flávia e Richter a escolherem a capital paranaense para a empreitada. Flávia, que nasceu em São Paulo e morou em Nova York nos últimos quatro anos, prefere não citar o investimento injetado na escola. ''É um investimento alto, mas não é absurdo.''
Para instalar a academia, os sócios escolheram uma casa no bairro Rebouças, região que a Fundação Cultural de Curitiba já tentou revitalizar e transformar em uma espécie de ponto cultural. Se a iniciativa municipal não vingou, a iniciativa privada promete movimentar o bairro. A casa onde será instalada a academia ainda em reformas vai contar com salas de aula-cenários, estúdio e uma parceria com a Academia Internacional de Música Eletrônica, com cursos dedicados a futuros DJs.
A escola oferece cursos divididos em módulos, que podem durar até dois anos. ''E se o aluno se envolver em um projeto que dure mais tempo, ele pode continuar na escola, desenvolvendo os seus trabalhos pela produtora da academia'', explica Flávia. A proposta é que após seis meses de curso os alunos já tenham em mãos um portfólio formado por trabalhos desenvolvidos na AICC. ''Os cursos são bastante práticos e o aluno trabalha com os equipamentos utilizados atualmente no mercado'', conta a jornalista.
Além do moderno equipamento, os professores da academia são um diferencial. Até o final do ano, integram a equipe o alemão Tobias Kohl, formado pelo The London Institute e pela Fábrica di Oliviero, de Oliviero Toscani (na Itália). Entre os trabalhos produzidos por Kohl destacam-se a direção, fotografia e edição do documentário ''The Desplazados'' (2002), com a atriz Angelina Jolie e seu trabalho junto à Organização das Nações Unidas (ONU), para a emissora de televisão italiana RAI.
O americano Mark Robin, editor de vídeos de cantoras como Mariah Carey; o canadense Seamus Murphy e o ator Joshua Leonard (do elenco do cultuado ''A Bruxa de Blair'') também fazem parte do corpo docente. Ainda este ano, o cineasta catarinense Fernando Severo e o roteirista curitibano Aleksei Abib também vão ministrar cursos na academia.
No primeiro semestre, o programa da escola aborda técnicas básicas do cinema e sua linguagem. No segundo, os módulos se dividem em direção, direção de fotografia, pós-produção, roteiro e documentário. Após esse período, os cursos ficam cada vez mais específicos. ''A idéia é também formar mão de obra especializada, já que existem muitos diretores, mas poucos técnicos no País'', revela Flávia. A mensalidade da academia é de R$ 480,00 além da taxa de matrícula e material. A escola terá um programa de bolsas, baseado em processo seletivo. Para mais informações, acesse www.aicc.com.br ou ligue (41) 353-2546.

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