São Paulo - ''Outro dia fui abordada no supermercado por um senhor que me perguntou: ''Você não está na novela das sete?''', conta a atriz Renata Celidonio, que vive Marieta em ''Aquele Beijo'', da Globo. Renata, que tem uma carreira de 16 anos no teatro, já havia feito participações em outras tramas. ''Mas essa é a primeira em que posso desenvolver uma personagem com início, meio e fim'', define.
Como Renata, outros atores experientes estão no ar trabalhando em suas primeiras novelas. Ou, então, em seu primeiro papel de destaque, a exemplo do ator Sandro Rocha, o Cleber de ''Vidas em Jogo'', da Record. Rocha, apesar de ter feito ''mais de 300 trabalhos na TV'', comemora a oportunidade de interpretar o miliciano, um personagem importante na trama. ''Cleber é um presente. É um personagem que cresceu muito na novela e me dá a oportunidade de fazer, na televisão, um trabalho com uma boa composição'', afirma o ator.
Alexandre Avancini, que participou da direção de novelas como ''Por Amor'' (1997) e ''Kubanacan'' (2003), ambas da Globo, e atualmente dirige a trama ''Vidas em Jogo'', da Record, afirma que além de atuarem como coadjuvantes, alguns atores estreantes são escalados também para passar por uma espécie de teste. ''Para personagens médios, colocamos um ator que, daqui a alguns anos, possa interpretar um coadjuvante de primeiro escalão ou até mesmo um protagonista'', afirma Avancini.

De primeira viagem
Enquanto lia um artigo de direito penal, estudando para prestar um concurso público, o ator Eduardo Spinetti recebeu uma ligação da TV Globo. Havia mais de um ano, ele tinha levado seu portfólio à emissora a fim de tentar engatar na carreira de ator. ''Mas já tinha desistido'', relembra. ''De repente, eles me ligaram e surgiu essa possibilidade de fazer a minha primeira novela'', comenta Spinetti, referindo-se ao seu papel em ''Fina Estampa'', trama das nove da emissora carioca. Atualmente no ar como o personagem Rui, o ator comemora a conquista e diz: ''Quero fazer um trabalho atrás do outro''.
Em ''Fina Estampa'', o personagem Rui trabalha no restaurante Le Velmont, liderado pelo chef René, papel de Dalton Vigh. No núcleo, há outras caras novas, como o ator Rafael Zolly, que vive Genésio e concilia as gravações na trama de Aguinaldo Silva com o trabalho de cabeleireiro em seu salão de beleza na rodoviária do Rio de Janeiro. ''Estudei artes cênicas e sempre tive o objetivo de ir para a televisão. Mas nem imaginava atuar em novela. No dia em que fui fazer o teste, estava desiludido. Disse que seria o último que faria'', conta Zolly.
Tanto Rui quanto Genésio são personagens coadjuvantes na novela, que é como a maioria dos estreantes começa. Há, porém, quem abocanhe papéis principais já de cara, como aconteceu com a atriz Mel Fronckowiak, no ar como Carla, uma das protagonistas da trama ''Rebelde'', da Record. Mel conta que caiu na carreira de atriz quase que por acaso. ''Estudava jornalismo, pois sempre gostei de escrever. Paralelamente, fazia atividades artísticas, como canto, dança e teatro. Mas ser atriz não foi a minha primeira opção'', comenta.
Na novela, a personagem Carla forma uma banda com outros amigos, mas o grupo, chamado Rebeldes, existe também fora da ficção. Por isso, a atriz, cantora e dançarina tem de suar para dar conta de gravações, shows e ensaios. ''Não imaginava que o ritmo seria tão agitado'', comenta. Mas a ralação, claro, vale a pena. ''O público é muito carinhoso. Nas ruas, as pessoas dão conselhos à Carla e mostram que torcem muito pelos personagens. Isso é essencial para o nosso trabalho'', diz.

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