Ingresso mais barato e família no cinema
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sábado, 02 de agosto de 2008
Rafael Urban<br> Equipe da Folha 
A senhora olha pasma. Para ela, não há dúvidas: a moça do guichê do cinema cobrou errado: R$ 12 para ela e as três filhas é muito menos do que Isabele Motti Correia está acostumada a pagar para ver filmes no shopping. ''Me assustei'', comenta. É domingo e a atendente avisa: ''A promoção é R$ 4 a inteira e R$ 2 a meia.'' O preço é o mesmo no Cinemark dos shoppings Muller e Barigui, em Curitiba, nas sessões diárias das 15h. Uma sessão fora da promoção custa, no mesmo horário e local, R$ 14.
''É o do robozinho'', explica Helena, 9 anos, filha de Isabele. Enquanto ''Wall-E'' passa no ParkShopping Barigui, na outra franquia da marca em Curitiba, a sessão desconto exibe ''Viagem ao Centro da Terra'', mais um ''filme-família'' e, também, dublado. Em um horário distante do movimento de pico do cinema e do shopping, a sessão, na sala para 329 pessoas, está praticamente lotada. Além de mais barato, o cliente tem a vantagem de escapar das filas, que, ao final da exibição, às 17 horas, já seriam quilométricas.
Apesar do enorme cartaz que explica a promoção, sempre há surpresas. ''Quando que tem uma sessão a esse preço?'', questiona, curioso, João Antonio da Silva, estudante de 17 anos que pagou R$ 7 para ver ''Hancock'', filme com Will Smith, às 14h55. Para a sessão promocional de Wall-E, filme de animação da Pixar, as famílias vieram em peso. Tal como Isabele que chegou com as filhas, Cezar de Col também não acreditou. Na última ida ao cinema, gastou R$ 40 para ele, a esposa e a filha. Desta vez ainda levou os dois sobrinhos e gastou só R$ 14. ''Me anima a voltar e trazer a família. Mas não sabia, não. Acho que falta divulgação'', comenta.
Na sala, uma bagunça total. Como no futebol, tem pipoca, torcida, gritaria e 90 minutos com direito a 15 minutos de descanso. No cinema, o intervalo abre a sessão. Às 15h13, depois de uma sequência enorme de trailers, um curta repete a tradição da Pixar e abre o filme, arrancando risadas dos pequenos e daqueles mais crescidos, que se divertem com empolgação similar. ''Acabou, acabou!'', grita um menino exaltado ao ver o coelho sapeca do pequeno filme sair de quadro. Quando o robozinho aparece na tela, o cinema fica em silêncio. Só se ouve a trilha constante dos sacos de pipoca.
Quando a tensão do filme aumenta um pouco, uma pequena vai para o colo do pai. Outra sobe e desce as escadas com seus tênis pisca-pisca enquanto resmunga: ''Muita criança, muita criança.'' Ao final, os pequenos voltam a falar alto. Às 16h46, quando terminam de baixar os créditos finais, só resta na sala uma família. ''As crianças se comportaram muito bem'', comenta Marcelo Brischke, acompanhado da esposa Mabel. ''Deu certo pois foi o filme que queríamos ver'', diz Selma Pereira da Silva, irmã de Mabel, ao lado de sua filha Marina, 12. É a segunda vez que a família vai à sessão desconto. ''Sempre que podemos, vamos juntos''.


