Ingenuidade social
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Rafael Ceribelli <br> <br> Reportagem Local 
''Todos podem mudar o mundo'', este é o mantra que é repetido por diversas vezes no documentário ''Quem se Importa'', filme dirigido e escrito pela cineasta Mara Mourão e que fará parte, a partir desta sexta, da programação da semana no Cine Com-Tour/UEL (ver box).
O longa reúne histórias inspiradoras de diversos ''empreendedores sociais'' de sucesso; ou seja, pessoas que se esforçaram, de alguma maneira, para mudar a comunidade em que vivem através de diversas ações sustentáveis e colaborativas. De maneira gradual, cada um desses 'transformadores' compartilha fatos de sua própria experiência para o espectador, com ações que são ilustradas com uma colagem de filmagens reais, desenhos ou trechos de outros filmes.
Nunca escondendo sua postura 'doutrinadora' perante o público (o site oficial de ''Quem se Importa'' define o documentário como ''mais que um filme, um movimento''), todos os entrevistados têm realmente experiências muito interessantes para relatar. Em uma pesquisa detalhada, Mara Mourão buscou exemplos de economia criativa e sustentabilidade em sete países - Brasil, Peru, EUA, Canadá, Tanzânia, Suíça e Alemanha - e colheu bons frutos pela sua perseverança. Chama a atenção, em especial, as mudanças causadas por iniciativas dos brasileiros Joaquim Melo (fundador do Banco Palmas, projeto social referência em todo mundo) e do médico Eugênio Scanavino (que leva assistência aos locais isolados através de um barco-hospital do projeto Saúde e Alegria), e ambos os casos prendem a atenção, e poderiam ter sido explorados com um pouco mais de tempo na tela.
Infelizmente, essas histórias fascinantes são contadas dentro de um formato que, muitas vezes, peca pelo exagero audiovisual e pelo enfoque engrandecedor dos personagens, que são elevados ao patamar de 'missionários' do novo milênio. Isso pode ser, em parte, explicado pela carreira de sucesso de Mara na direção de cerca 200 comerciais televisivos; para a linguagem cinematográfica, a narrativa incomoda por parecer 'enfeitada' demais, planejada estrategicamente para causar sensações que fazem o espectador mais atento se sentir dentro um (longo) comercial de margarina.
Repleto de metáforas desnecessárias contra o capitalismo e de alguns 'atalhos' dramáticos previsíveis, o resultado final do documentário é interessante pelo seu conteúdo, mas nada ali pode ser considerado realmente inovador - outros exemplos como ''Uma Verdade Inconveniente'', de Al Gore, e ''Capitalismo: Uma História de Amor'', de Michael Moore, proporcionam uma reflexão muito mais aprofundada sobre o mesmo assunto. A quebra do paradigma econômico-social deve ser debatida com doses de paixão, mas esses sentimentos devem sempre estar ancorados dentro de uma avaliação racional dos indivíduos e da sociedade que os cerca: só dessa maneira é que poderemos, um dia, transformar algo verdadeiramente.
SERVIÇO
Semana Movimento
Oásis Londrina
Programação de hoje:
20h Lançamento oficial do filme Quem se importa em Londrina, com a presença da diretora Mara Mourão, no Cine Com-Tour/UEL
20h30 Exibição do Filme Quem se importa
22h Bate-papo com a participação de Mara Mourão e mediação da diretora da Casa de Cultura, Magali Kleber


