INFRA-ESTRUTURA - Faltam espaços culturais
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terça-feira, 11 de janeiro de 2005
Fábio GalãoReportagem Local 
A interdição do Cine Teatro Ouro Verde, em dezembro, tornou mais fácil a constatação: os espaços para eventos culturais em Londrina são escassos. Ao fechamento do teatro, para a realização de uma reforma que ainda não tem data para começar, são somados outros problemas: a suspensão de atividades na Concha Acústica, os problemas de estrutura de outros locais tradicionais, como o Anfiteatro do Zerão, aluguéis caros e agendas cheias de alguns espaços, palcos sem dimensões apropriadas para certos tipos de espetáculo.
''São poucos os locais e falta estrutura. No ano passado, não consegui um espaço para uma peça em que Raul Cortez interpretava um texto de Mário Bortolotto ('À Meia-Noite, Um Solo de Sax na Minha Cabeça') e tive que cancelar. Precisamos da construção do Teatro Municipal e melhorar as condições dos locais que já existem. Londrina tem que estar melhor preparada para receber espetáculos'', pondera a produtora cultural Christine Vianna, que enxerga um problema específico na área de teatro.
''Existem ótimos espaços alternativos, como o Teatro Obrigatório Universal (T.O.U.) e a Usina Cultural, para pequenos públicos. O problema é a carência de locais para espetáculos de médio e grande portes'', diagnostica. O diretor do Festival Internacional de Londrina (Filo), Luiz Bertipaglia, alega que tais falhas interferem no cardápio das atividades culturais na cidade. ''O que sempre fazemos no Filo é um trabalho de adaptação dos espaços. Mas Londrina não tem condições de receber certos tipos de espetáculo, que exigem maior estrutura'', argumenta.
''O problema não é a pouca quantidade, mas a falta de qualidade dos espaços culturais. Além de reivindicar o Teatro Municipal, é necessário encontrar mecanismos para melhorar a cada dia locais como o Circo Funcart e a Usina Cultural e procurar jurisprudências para que espaços abertos como a Concha continuem recebendo eventos'', acredita Leonardo Ramos, diretor do Balé de Londrina.
No primeiro semestre deste ano, o Circo Funcart, onde o Balé de Londrina está sediado, receberá espetáculos de companhias de dança de várias partes do Brasil, dentro da Caravana da Fundação Nacional de Arte (Funart). ''O Circo Funcart atualmente é o melhor espaço para eventos de dança em Londrina, mas também tem limitações. Como a altura do palco e a capacidade, apenas 180 lugares, insuficiente para proporcionar um retorno para uma mini-temporada de um grupo de fora. Se o Ouro Verde ficar muito tempo fechado, vamos ter problemas com a programação. Espero que a reforma esteja concluída até março'', diz Ramos.
Dentro desta realidade, os grupos ligados à cultura são obrigados a buscar alternativas. A Orquestra da Universidade Estadual de Londrina (Osuel), que retoma os ensaios em fevereiro e tem a primeira apresentação de 2005 marcada para março, está procurando locais para estabelecer as primeiras atividades do ano. E está consciente de que será necessário fazer concessões.
''Teremos que utilizar espaços alternativos, o que significa palcos menores. Talvez façamos adaptações no repertório, para que não seja necessário que todo o efetivo da orquestra seja usado nas apresentações, ao menos não numa mesma obra'', afirma Henrique Vieira, maestro-adjunto da Osuel. ''Mas acho preferível que façam de uma vez uma reforma definitiva no Ouro Verde, ao invés de deixá-lo com condições parecidas com as da temporada passada, quando os problemas técnicos do teatro chegaram a interferir no trabalho''.
Ante as precariedades, Elimar Machado, chefe da divisão de música da Casa de Cultura da UEL, aponta que é hora de usar a criatividade. ''É costume na Europa realizar concertos em igrejas, por exemplo. No Brasil, existe a mentalidade de que igrejas são para rezar, então a elas não é atribuído um caráter de fomento a eventos culturais, elas não sediam apresentações que não tenham cunho religioso evidente. Diante da dificuldade de obter espaços para apresentações de música, as igrejas poderiam ser uma alternativa. É hora de buscar outras soluções''.


