A Ilha de São Luís e suas imediações, como Alcântara, têm muitas histórias para contar. Se, aparentemente, lhes falta a generosa paisagem natural que caracteriza o litoral do Nordeste e o interior da Amazônia, a decadência do período de escravidão cuidou de compensá-la com edifícios coloniais e imperiais quase intocados. Há seis anos, a administração estadual reconheceu o valor legado pela história e iniciou a recuperação dessa galeria arquitetônica a céu aberto. Graças ao Projeto Reviver, o centro histórico da cidade foi revitalizado, ganhando ares de uma sofisticada capital cultural. Lojas, museus, escritórios e bares passaram a ocupar prédios centenários antes semi-abandonados.
José Sarney, que ainda hoje é tratado como ‘‘presidente Sarney’’ por lá, fez restaurar um antigo convento carmelita e criou a Fundação Memória Republicana em homenagem à sua experiência presidencial. Houve também investimentos na urbanização das vias de acesso às praias da capital e na orla marítima, particularmente nas Praias de São Marcos e do Calhau, as mais badaladas. São Luís se converteu, assim, em um espaço cênico, onde a cineasta Carla Camurati filmou parte do filme Carlota Joaquina.
A capital maranhense teve batismo francês, em 1612, quando súditos de Luís 13 desembarcaram nas terras chamadas Ipaun-açu pelos tupinambás. Depois de se entenderem com os índios, os europeus fundaram a França Equinocial. A região era, teoricamente, parte do mundo português de então, mas a fragilidade da vigilância sobre essas áreas favoreceu a ocupação francesa, que ainda fundou a vila que leva hoje o nome de Alcântara, já no continente. A retomada da posse do litoral maranhense pelos portugueses aconteceu três anos depois e, em 1621, foi criada a província do Grão-Pará e Maranhão. Vinte anos adiante, holandeses aportaram na ilha, sendo desterrados em 1644. A partir daí, a Coroa Portuguesa consolidou sua dominação sobre a região. Em 1774, o Maranhão se separou do Pará e passou a se relacionar diretamente com Lisboa, sem a intervenção da administração colonial.
A colonização pautada sobretudo no cultivo de cana-de-açúcar riscou os tupinambás do mapa, introduziu o negro e permitiu o surgimento de uma aristocracia ciosa de seus privilégios junto à Coroa, que marcou seu estilo de vida com sobrados requintados, prédios públicos monumentais e inúmeras igrejas.
O Maranhão resistiu ao fim da economia escravagista e teve de ser dobrado à força à independência, em 1823, pelo almirante inglês Lord Cochrane, contratado pelo imperador Pedro I para pôr ordem na casa. A permanência da aristocrática arquitetura de São Luís e Alcântara são provas materiais do vigor econômico da elite neobrasileira da região, já então ‘‘amestiçada’’, como se pode ver no Museu de Alcântara, que guarda fotografias e relíquias da vida privada de alguns ex-grã-finos da cidade.ReproduçãoProjeto ReviverO centro histórico da cidade foi revitalizado, ganhando ares de uma sofisticada capital culturalAgência Estado

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