INFANTIS DE 500 ANOS
Zeca Corrêa Leite
Curitiba
Uma única apresentação dos Meninos Cantores de Viena, no Guairão, hoje, marca a passagem pelo Brasil do coral criado há exatos 501 anos. O espetáculo será dividido em duas partes: a primeira formada somente por composições vienenses e na segunda Música de Todos os Povos entram canções representativas de diversos países.
A regência estará a cargo de Martin Schebesta, que há cinco anos trabalha com o grupo. Na preparação do coro para suas numerosas apresentações especiais, atuou com Michael Gielen, Zubin Metha, Riccardo Muti e Georges Prête, entre outros. Como maestro assinou concertos levados no Carnegie Hall de Nova York, no Gewandhaus de Leipzig, no Barbican Centre de Londres, etc.
O conjunto de adolescentes que está no País (encerra a turnê dia 26 no Parque da Luz, em São Paulo) é um dos quatro grupos que deixam o imponente Palácio Augarten, na capital austríaca, para rodar o mundo. Somente nos Estados Unidos já estiveram mais de 60 vezes, desde os anos 30. Porém, mantendo a tradição secular, jamais falta um grupo para se apresentar semanalmente nas missas da Capela Imperial de Viena.
É a tradição, enraizada nestes cinco séculos. Afinal, o coro infantil foi criado para isso, no distante ano de 1498 pelo imperador habsburgo Maximiliano I cantar músicas sacras para os governantes austríacos na Capela Imperial. A princípio o grupo era formado por 12 garotos que recebiam casa e instrução, além de serem considerados parte da Capela Imperial de Música.
Tinha um valor de nobreza, pois isso representava pertencer ao restrito círculo de músicos que se apresentavam para a corte. Desde o princípio houve uma preocupação com a qualidade do trabalho em torno dos jovens intérpretes. Grandes professores e compositores deram sua contribuição aos Meninos Cantores de Viena.
Passaram por ali desde o período barroco e da renascença, chegando ao período clássico com nomes famosos como Antonio Salieri e Joseph Haydn. O criador da moderna ópera, Christoph Willibald Gluck, compôs para a Capela Imperial, bem como Mozart, que se tornou compositor da Corte em 1787. A esses nomes juntam-se Schubert e Bruckner.
As dificuldades enfrentadas pelo coro entre 1918 e 1921, com a I Guerra Mundial e o declínio da dinastia Habsburgo, fez com que a tradição corresse sérios perigos de desaparecimento. Porém, Joseph Smith, reitor que assumiu a Capela Imperial em 21, não cedeu. Apesar dos poucos recursos o coro conseguiu se restabelecer, ampliou o repertório incluiu motetos, peças seculares e operetas, a pedido dos meninos e, a partir de 1925, passaram a se apresentar fora da capela. Logo depois ampliavam o roteiro para o resto do mundo.
Em 1948 veio o grande presente do governo austríaco o Palácio Augarten, construção barroca devidamente restaurada, transformou-se na sede do grupo. Ali os meninos dispõem de salas de aula e de ensaio, alojamentos e espaço para recreação. A educação geral e musical é dada para pequenos grupos, com até oito alunos.
Os Meninos Cantores de Viena variam dos 10 aos 14 anos, quando começa a troca de voz. Aí deixam o Palácio Augarten. Mas tem aqueles que preferem continuar morando ali então recebem autorização para permanecer no palácio, muito embora estudem fora.
A história do coro continua sendo feita em nossos dias. Depois de serem dirigidos por Arturo Toscanini e Herbert von Karajan, cantaram sob as batutas de Lorin Maazel, Zubin Metha, Riccardo Muti, George Solti, Wilhem Furtwangler, Bruno Walter, para citar alguns. Sua discografia passa de 60 gravações.
Depois de 500 anos, é hora de uma de suas tradições ser quebrada a admissão de meninas para que também elas tenham educação musical de alto nível. Ao mesmo tempo irá se dar mais ênfase ao indivíduo, tornnando o currículo menos rígido, para que os pequenos artistas possam ter maior liberdade.
Meninos Cantores de Viena. Hoje, às 21 horas, no Guairão. Ingressos: R$ 50,00 (platéia), R$ 40,00 (primeiro balcão), R$ 30,00 (segundo balcão). Informações: fone 200-1993.Límpidas e perfeitas, as vozes dos 24 Meninos Cantores de Viena encant am Curitiba em £nica apresentação, hoje, no Guaíra
DivulgaçãoCom um repertório eclético, que vai da tradicional música sacra à popular, os meninos, que têm entre dez e quatorze anos, mostram a beleza do canto dos povos





