São Paulo - Parte do legado artístico de Itamar Assumpção já havia ganhado registro no projeto ''Caixa Preta'', lançado em 2010, com a remasterização de seus discos e a inclusão de material inédito do artista. Outra parte está por vir com o lançamento, no próximo mês, do aguardado CD de Zélia Duncan, ''Tudo Esclarecido'', que traz apenas composições deste que é um dos maiores ídolos da cantora.
Mas a criatividade do cantor e compositor paulista, morto em 2003, ainda tem muito mais a se revelar. Poemas, composições, desenhos e pensamentos do artista com fama de ''maldito'' podem ser conferidos no livro ''Itamar Assumpção - Cadernos Inéditos''.
Os manuscritos foram tirados de ''companheiros inseparáveis'' do músico: cadernos universitários, onde registrava não apenas suas criações. ''Esses cadernos eram como se fossem uma extensão dele, tanto na vida prática quanto na vida artística, porque eles funcionavam como agenda telefônica, lista de compras'', conta a filha Serena Assumpção. ''A gente percebe que ele utilizava aqueles cadernos como um guia mesmo, uma bússola para uma série de coisas que faziam parte da vida cotidiana dele.''
Serena, a irmã Anelis, também cantoras, e a mãe, Elizena, viúva de Itamar, fizeram, juntamente com o compositor Marcelo Del Rio, a compilação e organização do material, editado em parceria do Itaú Cultural com a Editora Terceiro Nome.
O livro apresenta um formato de caderno mesmo, com páginas quadriculadas, e também tem fotos de alguns dos espirais originais - foram 60, produzidos entre 1986 e 2003. Segundo Anelis, os cadernos foram transcritos praticamente na íntegra, sem preocupação cronológica ou temática. ''O que ficou de fora, ou são coisas que estavam incompreensíveis, ou que tinham mais de uma versão de um texto, mas não teve nenhuma seleção, tanto que ele não está classificado em nenhum gênero literário, é um caderno de escritos mesmo'', explica ela. ''E ainda tem material espalhado em outros lugares, cadernos que ele deixou na casa de outras pessoas.''
Foram preservadas dedicatórias ou indicações que ele fazia nos textos, como por exemplo, na canção ''Molho Zarolho'', em que estava anotado: ''Dei pra Alzira (Espíndola) musicar para o Ney (Matogrosso)''. De acordo com Anelis, as composições do livro são inéditas, mas algumas já foram cantadas por Itamar em shows ou em almoços com amigos - sem nunca ganharem um registro oficial.
Mas essas composições de Itamar poderão ser musicadas? ''A intenção não é essa, não é as pessoas pegarem e ficarem fazendo música. Mas essa liberdade existe. E tem muita coisa que é extremamente interessante para virar uma música, quem se animar, quem se empolgar, fique à vontade'', convida Anelis.

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