O Nego Dito ainda vive. Não apenas em versões e parcerias com Zélia Duncan, Cássia Eller, Chico César, entre outros nomes. Mas, também, em letras inéditas que o símbolo da vanguarda paulista deixou para o instrumentista Sérgio Molina musicar. ''Sem Pensar Itamar, Nem Pensar'' é o nome do projeto idealizado por Itamar antes de sua morte para que Molina injetasse vida, ao lado da cantora paulistana Mirian Maria (ex-Orquídeas do Brasil). Só para refrescar a memória, durante o 26º Festival de Música de Londrina, Molina ministrou diversas conferências, além de ter integrado a grade de professores convidados. Hoje, cada vez mais o músico tem Itamar Assumpção latente em pensamentos, entre frases e melodias.
A história começou em 2001 quando Itamar ligou para sua casa e passou-lhe um hai cai. ''Pouco depois ele ficou doente pela primeira vez. Musiquei esse hai cai e gravei em casa numa fita K7. A Clara, com quem sou casado, levou a gravação e entregou a ele, que agradeceu e não disse mais nada. Aliás, ele nunca falava nada'', comentou o instrumentista.
Segundo Molina, passado o período de recuperação, Itamar imaginou alguns projetos que pudessem ser executados e, como se pressentisse o pouco tempo que lhe restava, produzir muito em seu último ano de vida. Bastou a métrica concisa do hai cai para que outras produções de Itamar chegassem até Molina, rendendo um bom repertório de inéditas. ''Depois de ter me enviado umas três letras, ele me ligou e perguntou se eu já tinha um CD com esse material. E foi me passando outras letras. Nos últimos seis meses de vida, ele me pediu para que eu chamasse a Mirian Maria para cantar as músicas, e que era para eu fazer do meu jeito, como se de fato fosse uma parceria'', lembrou. Para quem não sabe, o músico é casado com Clara Bastos, baixista de Itamar por dez anos, que também assina as transcrições das partituras do song-book, lançado hoje em Londrina (veja a programação do Londrix).
Em ''Sem Pensar Itamar, Nem Pensar'', Sérgio Molina e Mirian Maria são acompanhados por Mariô Rebouças (piano) e Priscila Brigante (bateria e percussão). Um tesouro musical como esse deve ser registrado em CD, não? ''Pretendemos tocar pelo menos uns seis meses, justamente para tentar amadurecer a sonoridade. Não vamos gravar o CD esse ano. Fazendo shows do projeto, chamaremos a atenção de quem quiser fazer parte da gravação'', justificou, lembrando que intensificarão os shows em São Paulo.

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