Índios: uma questão de respeito
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segunda-feira, 28 de março de 2011
Ana Paula Nascimento <br> <br> Reportagem Local 
Em uma região privilegiada pela natureza, moram cerca de dois mil índios da etnia caingangue, na Reserva Indígena do Apucaraninha, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina). Depois de 25 quilômetros de estrada de chão e da exuberância do Salto do Apucaraninha, chega-se à aldeia, que chama a atenção pelas casas de tijolos e pelos varais repletos de roupas lavadas. Nos arredores, grupos de pessoas conversam e a vida parece ter um ritmo diferenciado. Na escola da aldeia, lideranças se reúnem para debater as diretrizes que devem ser tomadas em relação à educação formal indígena.
Aproveitando que no mês que vem se celebra o Dia do Índio - em 19 de abril -, na semana retrasada o Colégio Sesi organizou a visita de 90 alunos da 3 e 4 séries à aldeia - ação que integra o projeto ''Índios: uma questão de respeito''. Ávidos por conhecer os índios e registrar esse momento, os alunos saem dos ônibus carregando câmeras fotográficas digitais e alguns até se perguntam se lá haverá índios canibais.
Logo no primeiro contato, na escola indígena, os alunos percebem que as crianças indígenas são meio arredias e, apesar das tentativas de comunicação, elas sempre mantêm uma certa distância, com o sorriso no rosto e o brilho no olhar. Um misto de vergonha e timidez. Por outro lado, os alunos se impressionam com a destreza com que elas sobem nas árvores e correm pela terra de chão descalças. Uma liberdade distante da modernidade da vida urbana tão conhecida por eles.
Passeando pelos arredores da aldeia, os alunos passam pela igreja, a praça, o posto de saúde e até pela cadeia improvisada, onde o cacique Juscelino Vergílio mantém por um dia os homens que exageram na bebida alcoólica e fazem arruaças. Na casa da simpática dona Albertina Gavóg Prag - indígena de 54 anos, 14 filhos e 9 netos -, eles conhecem o artesanato típico da cultura caingangue, feito com fibras de taquara e também fonte de renda.
Ela é a pessoa que detém esse conhecimento na aldeia e é de sua responsabilidade passar para frente essa informação. O público-alvo são meninas de 8 a 9 anos que tenham interesse em aprender essa arte. ''A gente não força, o interesse tem que partir delas, mas nos esforçamos para preservar a cultura da cestaria'', comenta Albertina.
Demonstrando jovialidade e força, ela reclama da falta de apoio para a questão indígena e diz que muitos sobrevivem apenas do Bolsa Família. Nos arredores da aldeia, há plantações de feijão, milho e mandioca, mas ela afirma que nem sempre são suficientes para alimentar todos. Enquanto isso, no que seria o quintal da sua casa, os alunos se divertem com as sementes de urucum - que dá origem ao tempero colorau. Pintam o rosto com o pó vermelho e têm o seu dia de índio.
A professora Viviane Mariano Calciolare conta que o projeto é bimestral e a oficina de aprendizagem teve como objetivo quebrar certos pré-conceitos dos alunos em relação aos índios. ''Alguns chegaram a dizer que sentem medo quando vêem algum índio em Londrina; outros ainda mantinham aquela ideia de que os índios andam sem roupa, usam cocar e moram em ocas. Consideramos importante que eles viessem aqui e conhecessem de perto o funcionamento de uma aldeia'', afirma.
Como parte do trabalho, foram feitas pesquisas de palavras e lendas de origem indígena, além da redação de textos coletivos sobre o assunto. Para o dia 20 de abril está programada uma visita de indígenas à escola para a divulgação de sua cultura e venda de utensílios artesanais.


