INCLUSÃO DIGITAL -

Indígenas recebem tablets para realizar curso e valorizar cultura

Solenidade na Câmara Municipal de Londrina reúne indígenas para a entrega de tablets que servirão para aulas de um curso que visa a preservação cultural

Walkiria Vieira - Grupo Folha
Walkiria Vieira - Grupo Folha

A tecnologia digital é uma ferramenta  útil quando o assunto é a  preservação e documentação cultural.  Na tarde desta quarta-feira (24),  a Comissão de Direitos Humanos e Defesa da Cidadania realizou a entrega de cinco tablets para indígenas que foram aprovados no Programa Bolsa Qualificação, do governo do Paraná, que visa fomentar e aperfeiçoar as produções culturais da sociedade por meio de atividades on-line. A cerimônia foi realizada na Câmara Municipal de Londrina. 

 

Solenidade de entrega de tablets na Câmara Municipal reuniu os indígenas, o secretário da Cultura Bernardo Pellegrini, Auber Silva, a vereadora Lu Oliveira (PL) e o empresário Fernando Moraes que doou os equipamentos
Solenidade de entrega de tablets na Câmara Municipal reuniu os indígenas, o secretário da Cultura Bernardo Pellegrini, Auber Silva, a vereadora Lu Oliveira (PL) e o empresário Fernando Moraes que doou os equipamentos | Walkiria Vieira
 



Os estudos serão feitos por meio da internet e como os bolsistas não possuem dispositivos eletrônicos, a empresa Móveis Brasília doou os tablets a pedido da vereadora Lu Oliveira (PL), vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, que tem entre as suas atribuições a proteção dos indígenas. Do ponto de vista da vereadora, toda a sociedade possui um papel importante na mudança de tratamento aos indígenas. "Se cada cidadão, seja ele um comerciante ou não passar a olhar para a cidade com o desejo de integrar a todos, a mudança para melhor atinge a todos. A doação dos tablets para um curso de formação educacional é só um exemplo de como podemos transformar vidas", disse. 



A Bolsa Qualificação foi lançada pela Secretaria de Estado da Comunicação Social e da Cultura em parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). A ação selecionou 12 mil pessoas em todo o Paraná, para serem contempladas com bolsas de R$ 3 mil. Os participantes realizarão atividades no modelo de Ensino a Distância (EaD), divididas em três módulos de 40 horas cada.


Os indígenas inscritos nesta seleção também contaram com o suporte do Conselho Municipal de Transparência e Controle Social de Londrina (CMTCSL), que auxiliou esse público desde a realização da inscrição até a gravação e envio do material produzido. Os vídeos irão compor o acervo do Londrina Cultura faz História, projeto que compilará todos os trabalhos selecionados com o objetivo de registrar e valorizar as memórias da cidade.

 

Solenidade de entrega de tablets na Câmara Municipal de Londrina destacou o valor da cultura indígena
Solenidade de entrega de tablets na Câmara Municipal de Londrina destacou o valor da cultura indígena | Walkiria Vieira
 



O presidente do CMTCSL, Auber Silva Pereira, afirmou que o processo de inclusão e apoio aos indígenas é uma forma de fortalecimento cultural. “Precisamos fazer um resgate da cultura e dos hábitos indígenas, em especial dos Kaingang aqui da nossa região. Sua presença vai do sul de Minas Gerais até o norte do Rio Grande do Sul, porém, a língua está sendo perdida em várias aldeias ao longo do tempo. Esse projeto é muito interessante para a cultura de Londrina e para a divulgação e disseminação da cultura Kaingang, até mesmo para outros estados”, expôs.

 

Para o secretário municipal de Cultura, Bernardo Pellegrini, toda a representação indígena é integrante de nosso patrimônio cultural e imaterial. "A sociedade precisa mudar o tratamento aos indígenas e tem se expressado equivocadamente sobre eles, que não são indigentes e muito têm a nos ensinar: o modo de viver compartilhado, a solidariedade, o consumo consciente", cita. Pellegrini ressalta que entre as riquezas que o povo indígena nos dá pode ser reconhecida em mais de 70% de nomes de cidades e avenidas com nomes de origem indígena no Paraná, por exemplo. O secretário cita ainda as danças, a gastronomia e a domesticação de mais de 30 mil espécies de plantas - feitas ao longo da história pelos índios. 



Tecnologia para valorizar raízes   

O Programa de Bolsa Qualificação inclui seis indígenas, sendo cinco Kaingang e um Guarani. Os Kaingang são Nielson Ferreira, Tânia Marques da Silva, Helinho Tyj Zacarias, Helis Góg Nér Zacarias e Cleber Kronun de Almeida. A comunidade guarani é representada por Marcelo Ucha Verá Vargas.

 

Nielson Ferreira Tubás: “A tecnologia será um grande apoio porque permite que a gente perpetue nossos valores e cultura sem perder nossas raízes"
Nielson Ferreira Tubás: “A tecnologia será um grande apoio porque permite que a gente perpetue nossos valores e cultura sem perder nossas raízes" | Walkiria Vieira
 



O Kaingang Nielson Ferreira Tubás, 30 anos é  e filho do cacique de sua comunidade. Ele relatou estar participando pela primeira vez de uma aula neste formato. “A tecnologia será um grande apoio porque permite que a agente perpetue nossos valores e cultura sem perder nossas raízes e conhecimentos deixados por nossos ancestrais. 



Presente à solenidade, o presidente da FACIAP - Federação da Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná e diretor da empresa Movéis Brasília, Fernando Moraes, foi especialmente para a entrega dos tablets. Moraes reconheceu a importância de a sociedade voltar seus olhos a quem tanto lhe deu. "Estamos em Londrina há 54 anos e devemos muito aos londrinenses que nos acolheram. Além disso, não podemos deixar de pensar na inserção digital da sociedade e a cultura indígena também está presente em nosso cotidiano e não devemos esquecer da importância dos índios em nossa história". Moraes explica que o trabalho social integra as ações da empresa. "Geramos empregos no Paraná e Santa Catarina e sabemos da diferença no âmbito social que fazemos". 



Alexandre Oguido, da Coordenadoria de Centro Cultural, está colaborando pela primeira vez com os indígenas, assessorando-os nas atividades EaD. Além do servidor, há mais quatro voluntários que apoiam os projetos: Carin Louro, Clarice Junges, Francesca Amaral e João Guilherme Aldegueri Marques. Juntos, eles estão trabalhando com os conteúdos impressos das aulas, além de utilizar o telecentro da Biblioteca Pública Municipal Pedro Viriato Parigot de Souza, com computadores e wi-fi disponíveis para que os indígenas possam fazer as atividades.



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