Indie em alta temporada
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de março de 2003
Fábio GalãoReportagem Local 
A MTV Brasil anunciou em fevereiro a extinção do ''Lado B'', seu programa destinado ao rock alternativo. O timing da emissora não poderia ser pior. 2003 deve ser marcado por um ritmo acelerado de lançamentos na seara indie. A temporada intensa tem início já este mês, com os novos de Stephen Malkmus e White Stripes na boca do forno.
''Pig Lib'', segundo álbum-solo do ex-líder do Pavement, sai lá fora no dia 18 de março e em seguida no Brasil pela Trama. Malkmus, que se apresentou em Londrina no ano passado, informa que está retomando a fase ''Wowee Zowee'', disco de 1995 de sua finada banda: canções com melodias preguiçosas, longas passagens instrumentais e solos de guitarra intermináveis.
Bem mais aguardado, ''Elephant'', com lançamento mundial marcado para 1º de abril (a Sum promete edição simultânea no Brasil), periga tirar o White Stripes do circuito indie. O disco teve seu lançamento antecipado em uma semana porque todas as músicas foram parar na rede. A banda teve o trabalho de prensar apenas cópias em vinil para a tradicional distribuição preliminar a rádios e jornalistas, de forma que o conteúdo do álbum não fosse pirateado.
guitarrista e vocalista Jack White. ''Vocês (os fãs) estão querendo abrir o presente antes da manhã de Natal'', reclamou, num comunicado no site oficial da banda. Há duas semanas, White anunciou que o trabalho terá seis capas diferentes, que irão variar conforme a região do mundo onde ''Elephant'' é comercializado. Na Austrália e no Japão, o disco terá a mesma capa, diferente, por exemplo, do layout do álbum vendido na América do Sul.
Gravado em Londres, ''Elephant'' tenta elevar o teor de influências mais ''adultas'' (jazz, blues e country) no rockão de garagem dos Stripes. Tem até versão de ''I Just Don't Know What To Do With Myself'', de Burt Bacharach. A primeira faixa é o single ''Seven Nation Army'', que abre com uma irônica linha de baixo. O instrumento não havia aparecido em nenhum dos outros três discos da banda.
O disco mais aguardado do ano, entretanto, provavelmente é o novo do Radiohead. O quinteto confirmou na semana passada o lançamento mundial de seu sexto álbum para 9 de junho. O título ainda não foi definido; embora os fãs cogitem os nomes provisórios ''2+2=5'' (nome de uma das novas canções) ou ''Are You Listening?'', Thom Yorke avisou nesta semana no site oficial da banda que o Radiohead nunca trabalhou com estes nomes. O disco foi mixado em Los Angeles em janeiro e fevereiro e o primeiro single deve chegar às lojas inglesas no dia 16 de maio.
Após os contestados ''Kid A'' (2000) e ''Amnesiac'' (2001), o Radiohead decidiu trabalhar de forma diferente. As gravações duraram apenas dois meses (contra um ano e meio de gestação de ''Kid A'') e o vocalista Thom Yorke descreve o novo repertório como ''o extremo oposto'' dos dois últimos álbuns. Essa definição encontra discordância dentro da própria banda, já que o guitarrista Ed O'Brien promete uma junção ''do melhor dos discos 'The Bends' (1995), 'Ok Computer' (97), 'Kid A' e 'Amnesiac'''.
No meio do ano passado, o Radiohead apresentou várias canções inéditas numa mini-turnê por Espanha e Portugal. Centradas em guitarras dedilhadas e muito piano, as novas músicas não trazem quase nada de sons eletrônicos, são mais melódicas do que as faixas dos dois últimos álbuns, mas preservam a aura de esquisitice da banda.
Ainda na praia do rock inglês, o Blur anunciou o nome de seu sétimo álbum, ''Think Tank'', e a lista de músicas. O disco chega às lojas no dia 5 de maio e será o primeiro da banda sem o guitarrista Graham Coxon, que teria saído após homéricas brigas de ego com o vocalista Damon Albarn, que fez mais dinheiro com o projeto paralelo Gorillaz do que em 13 anos de Blur. Simon Tong, ex-guitarrista do Verve, assumiu as seis cordas.
O disco foi gravado em Londres e Marrocos, meio que para confirmar a atual fase, digamos, pouco inglesa de Albarn - no início do ano passado, ele esteve em Mali e até gravou um disco com influências ''étnicas''. Os fãs, entretanto, seguram a respiração quando cogitam a direção musical da banda em sua nova investida: o single ''Don't Bomb When You Are The Bomb'', intragável gororoba de pretensões world music, lançado no ano passado, decepcionou tanto que nem entrou na lista de canções de ''Think Tank''.
Para o segundo semestre, o trabalho mais esperado é a volta dos Strokes. O grupo está desde o final do ano passado gravando novas canções. Comenta-se que o garageiro Gordon Raphael, produtor da estréia do quinteto nova-iorquino, teria sido substituído por Nigel Godrich, responsável pelos discos mais recentes do Radiohead. Entretanto, novas canções apresentadas na turnê de 2002, como ''Meet Me In The Bathroom'' (dedicada a Courtney Love) e ''The Way It Is'', entregam: o som dos Strokes continua o mesmo pop rock mal tocado e gostosinho.
A lista segue extensa pelo resto de 2003, com previsões de novos trabalhos de Vic Chesnutt, Wilco com Minus 5 (ambos em março), Evan Dando (ex-líder do Lemonheads), Ian McCulloch (Echo & The Bunnymen), Yo La Tengo, Arab Strap, Yeah Yeah Yeahs, Cramps, Placebo (todos em abril), Trail Of Dead (num EP de quatro faixas), Mars Volta (banda de ex-integrantes do At The Drive-In), Black Rebel Motorcycle Club, os três prometidos para até o final do primeiro semestre, Grandaddy (junho),Super Furry Animals (julho), PJ Harvey, R.E.M., Manic Street Preachers e The Hives (todos para o segundo semestre). Não vai sobrar cofrinho cheio no final do ano.


