Lançado nas salas brasileiras em 2002 e sucesso também nas locadoras desde junho do ano passado, ''Cidade de Deus'' cobra mais uma vez, e com justiça, seu lugar na programação de cinema das principais cidades do País, podendo ser visto ou revisto a partir de hoje (confira a programação nesta página). E agora também credenciado pelo aval da Academia de Hollywood que, de forma enviesada, corrigiu com juros a não indicação à categoria de melhor filme estrangeiro, na último entrega do Oscar, habilitando a obra de Fernando Meirelles e Katia Lund a competir em importantes categorias (direção, roteiro adaptado, fotografia e montagem). Valeu o lobby de bastidor dos poderosos manos judeus Weinstein - ou alguém ainda duvida que o combustível que impulsiona o Oscar é a manipulação, o compadrio, a chantagem branca, o assédio, o toma-lá-dá-cá ?
A esta altura, com um extenso cartel de prêmios e galardões nacionais e internacionais a exibir, não resta dúvida de que ''Cidade de Deus'' se converteu num dos filmes mais surpreendentes, excitantes e contagiantes dos últimos tempos. E o Oscar nada tem a ver com isto. Elétrico, frenético, dilacerante, este é um autêntico trabalho de criação coletiva onde cada elemento brilha com luz própria. Três décadas de ação, cerca de 300 personagens e nenhum protagonista definidamente principal. Um filme complexo emoldurado por uma fotografia única, um prodígio experimental que agrega formatos e técnicas que culminam por arredondar a calculada e valente direção de Meirelles. E esta capacidade de experimentação, este brilho técnico utilizado para contar uma história crua de terrores diários e terrenos, próxima e ao mesmo tempo distante do grande público. Não há dúvida, um filme para rever, em qualquer tempo, sob qualquer pretexto ou sob nenhum pretexto.
(C.E.L.J.)

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