Independentes esbanjam qualidade
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quarta-feira, 02 de maio de 2001
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
Segundo a receita dos terapeutas zen, os pacientes devem destinar um olhar amoroso para o próprio interior para descobrirem-se grandes. Foi mais ou menos isso o que as pequenas gravadoras fizeram recentemente, ao fundar em São Paulo a Associação Brasileira da Música Independente. A ABMI ainda está em processo de criação, mas a existência de 400 selos e 2 mil produtores independentes é um fato relevante.
O nó da questão do independente é a distribuição: como levar os produtos para as lojas e, ainda, sensibilizar os lojistas para colocar em destaque um disco que não tem por detrás a máquina promocional sustentada pelas multinacionais? Bem, o jeito é torcer para que o público consumidor prestigie esses selos, pois neste segmento qualidade é que não falta.
Abaixo, alguns títulos dos discos lançados ultimamente pela Dabliú e Kuarup, empresas atuantes do setor. Estes CDs se não estão à venda nas grandes redes, nem nas lojas tradicionais, podem ser encomendados diretamente com as gravadoras: Kuarup fone: (21) 220-1623, fax: (21) 220-0494; Dabliú fone/fax (11) 3079-0372 ou 3079-1843. Catálogo pela Internet: www.brmusicguide.com.br.
Pixinguinha de Bolso O encontro de Henrique Cazes e Marcello Gonçalves rendeu um dos melhores trabalhos produzidos nos últimos anos. Dois grandes talentos o consagrado Cazes, considerado um dos maiores solistas de cavaquinho do País, e o jovem Gonçalves, violonista de sete cordas executam Pixinguinha com a finesse devida ao grande mestre. No repertório estão alguns dos clássicos do compositor como Ingênuo e Um a Zero e números pouco conhecidos, como Passatempo e Devagar e Sempre. Tem, inclusive, Os Dois se Gostam, gravado em 1919, mas que ninguém sabia que era de Pixinguinha. A descoberta se deu numa pesquisa feita por Henrique Cazes. O encarte do disco, em inglês em português, deve-se ao lançamento simultâneo no Brasil e Japão, devendo chegar também aos mercados dos Estados Unidos e Europa. Enfim, o choro numa edição sofisticada. Lançamento da Kuarup.
Influências Este disco de Elias Belmiro, violonista capichaba da cidade de Vitória, é outra jóia rara das cordas. O jovem músico tem pouco mais de 30 anos presta homenagem a alguns dos célebres compositores que fizeram do choro um gênero musical. Nas palavras do artista essa reverência vai além, como se quitasse uma dívida cultural que o modismo contraiu com estes artistas e com o nosso público musical. O CD traz seis faixas de autoria de Belmiro e outras nove desses compositores, entre eles Canhoto, João Pernambuco, Dilermando Reis. Comove ouvir o violão de Elias Belmiro, que teve duas gravações suas lançadas pela Time-Life, ao lado de John Williams. Este Influênncias, especialmente, é para quem gosta do choro envolvido em suas origens. Precioso. Lançamento da Kuarup.


