Segundo a receita dos terapeutas zen, os pacientes devem destinar um olhar amoroso para o próprio interior para descobrirem-se grandes. Foi mais ou menos isso o que as pequenas gravadoras fizeram recentemente, ao fundar em São Paulo a Associação Brasileira da Música Independente. A ABMI ainda está em processo de criação, mas a existência de 400 selos e 2 mil produtores independentes é um fato relevante.
O nó da questão do independente é a distribuição: como levar os produtos para as lojas e, ainda, sensibilizar os lojistas para colocar em destaque um disco que não tem por detrás a máquina promocional sustentada pelas multinacionais? Bem, o jeito é torcer para que o público consumidor prestigie esses selos, pois neste segmento qualidade é que não falta.
Abaixo, alguns títulos dos discos lançados ultimamente pela Dabliú e Kuarup, empresas atuantes do setor. Estes CDs se não estão à venda nas grandes redes, nem nas lojas tradicionais, podem ser encomendados diretamente com as gravadoras: Kuarup fone: (21) 220-1623, fax: (21) 220-0494; Dabliú fone/fax (11) 3079-0372 ou 3079-1843. Catálogo pela Internet: www.brmusicguide.com.br.
‘‘Pixinguinha de Bolso’’ – O encontro de Henrique Cazes e Marcello Gonçalves rendeu um dos melhores trabalhos produzidos nos últimos anos. Dois grandes talentos – o consagrado Cazes, considerado um dos maiores solistas de cavaquinho do País, e o jovem Gonçalves, violonista de sete cordas – executam Pixinguinha com a finesse devida ao grande mestre. No repertório estão alguns dos clássicos do compositor como ‘‘Ingênuo’’ e ‘‘Um a Zero’’ e números pouco conhecidos, como ‘‘Passatempo’’ e ‘‘Devagar e Sempre’’. Tem, inclusive, ‘‘Os Dois se Gostam’’, gravado em 1919, mas que ninguém sabia que era de Pixinguinha. A descoberta se deu numa pesquisa feita por Henrique Cazes. O encarte do disco, em inglês em português, deve-se ao lançamento simultâneo no Brasil e Japão, devendo chegar também aos mercados dos Estados Unidos e Europa. Enfim, o choro numa edição sofisticada. Lançamento da Kuarup.
‘‘Influências’’ – Este disco de Elias Belmiro, violonista capichaba da cidade de Vitória, é outra jóia rara das cordas. O jovem músico – tem pouco mais de 30 anos – presta homenagem a alguns dos célebres compositores ‘‘que fizeram do choro um gênero musical’’. Nas palavras do artista essa reverência vai além, como se quitasse ‘‘uma dívida cultural que o modismo contraiu com estes artistas e com o nosso público musical’’. O CD traz seis faixas de autoria de Belmiro e outras nove desses compositores, entre eles Canhoto, João Pernambuco, Dilermando Reis. Comove ouvir o violão de Elias Belmiro, que teve duas gravações suas lançadas pela Time-Life, ao lado de John Williams. Este ‘‘Influênncias’’, especialmente, é para quem gosta do choro envolvido em suas origens. Precioso. Lançamento da Kuarup.

mockup