Independência e vida
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sábado, 04 de julho de 2015
Geraldo Bessa<br> TV Press 
A televisão trabalha, preferencialmente, com apostas pouco arriscadas. Por isso mesmo, quando demonstra desempenho acima da média em algum tipo de gênero ou personagem, um intérprete é geralmente escalado para viver papéis e trabalhos semelhantes. Sair dessa zona limitada e das possíveis repetições é o grande "calo" dos atores iniciantes. É preciso ter personalidade e objetivos para seguir por um caminho mais independente em relação aos contratos com as emissoras.
Com o passar do tempo e depois da repercussão popular, a autonomia artística e a possibilidade de escolher o que se vai fazer passam a ter grande importância na vida dos profissionais. Mas são poucos que conseguem. "A forma como cada um constrói sua relação com a emissora é o mais importante. Eu emendei muitas coisas antes de conseguir poder selecionar mais. Os convites chegam e é interessante poder ver o que mais se encaixa com o seu momento profissional", analisa Alinne Moraes, mocinha de "Além do Tempo", próxima novela das seis, que estreia no dia 12.
Há seis anos distante de novelas mais tradicionais e de longa duração a última foi "Viver a Vida", de 2009 -, Alinne é um caso clássico de uma atriz em ascensão que consegue ter algum domínio sobre a carreira. Nesse tempo longe de trabalhos mais longos, atuou em peças, fez seis longas, teve um filho e só topou fazer projetos especiais e pontuais no vídeo, como os seriados "Amor Em Quatro Atos" e "Como Aproveitar o Fim do Mundo", além do remake de "O Astro" para a faixa das onze. Retomar a relação com a tevê em uma novela das seis de menor duração só evidencia o poder de escolha da atriz, que continuou contratada da Globo.
O nome de Alinne se junta ao de outros que, depois de muitos trabalhos sem muito critério, começaram a negociar mais com autores e diretores, sem necessariamente se "queimarem" com a cúpula da emissora. "É muito bom quando você pode unir a vontade de estar no ar com algo que pode realmente fazer diferença para a carreira. Tenho carinho por todas as minhas fases profissionais, mas agora é hora de experimentar", conta Juliana Paes, que, depois de muitos tipos convencionais, passou a direcionar a carreira de forma mais criteriosa e engatou dois trabalhos sob o comando de Luiz Fernando Carvalho, a conceitual "Meu Pedacinho de Chão" e "Dois Irmãos", série que estreia no segundo semestre.
Com trajetórias e motivações diferentes, nomes novos e "medalhões" fazem parte destes seleto grupo, como Tony Ramos, Gloria Pires, Malu Mader, Cláudia Abreu, Débora Bloch, Lília Cabral, Cássia Kis Magro, Lázaro Ramos, Murilo Benício, Mariana Ximenes, Carolina Dieckmann, Claudia Raia e Cauã Reymond, entre outros.
Em comum, trabalhos mais espaçados, tempo para desenvolver a carreira em outras frentes e papéis de destaque. "Às vezes, é preciso se impor. A longo prazo, um 'não' pode ter muito mais relevância do que um 'sim'. Você deixa de fazer certos trabalhos e mostra aos outros por qual caminho quer seguir", analisa Cauã Reymond, que, desde o final de "Avenida Brasil", de 2012, voltou seu foco profissional para produções de formatos mais enxutos, como "Amores Roubados" e "O Caçador".
Mesmo com elenco menor, o que requer mais dedicação de seu casting, a Record também mantém regalias para alguns de seus contratados. Gisele Itié, Thaís Fersoza e Maytê Piragibe, por exemplo, conseguem ficar tranquilamente mais de dois anos fora do ar.
Do time masculino de protagonistas da emissora, Ângelo Paes Leme é um dos que mais se destaca no quesito autonomia. Longe de trabalhos mais longos desde "Ribeirão do Tempo", de 2010, ele vê com satisfação sua participação em projetos bíblicos como "José do Egito" e "Milagres de Jesus".
Com tempo para exercitar outras facetas, o ator pode se envolver com produções para a tevê paga, como "Acerto de Contas", seriado exibido pelo Multishow. "A tevê paga passa por um momento de eferverscência. Ter a oportunidade de atuar tanto nos projetos da emissora quanto fora é muito bom. E são produtos que mexem com o ator, não é chegar e fazer, existe uma preparação mais rica. Espero continuar tendo bons convites e tempo para realizá-los", torce Ângelo.
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