INDEFINIÇÃO - Impasse suspende projetos no Paraná
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sábado, 04 de outubro de 2003
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Recursos de R$ 4,5 milhões investidos em dois projetos culturais do Parque da Ciência, antigo Parque Castello Branco, correm o risco de se perder por causa do impasse que envolve a abertura do local. Inaugurado em novembro do ano passado, no governo Jaime Lerner (PFL), o parque foi fechado em abril, já na gestão do governo Roberto Requião (PMDB). O atual governo chegou a divulgar a intenção de que o local, transformado em um complexo educacional e cultural, voltasse a abrigar exposições agropecuárias, projeto vetado pelas leis ambientais. Agora, o parque está a cargo da Secretaria de Estado de Educação, que está levantando as possibilidades da reabertura do complexo chamado de Newton Freire Maia.
Enquanto isso não acontece, os quatro projetos criados para funcionar no Parque da Ciência estão parados. Dois deles podem não ter como recuperar o tempo perdido, já que o financiamento acaba em dezembro. O Palco do Paraná e o Circo da Ciência são projetos culturais levantados com recursos da Lei Rouanet, ambos patrocinados pela Petrobras. O primeiro, orçado em R$ 2 milhões, conta com a construção de uma grande maquete de concreto do Estado, instalada a céu aberto em uma área de cerca de 5 mil metros quadrados. Só para construção da maquete, que traz a marcação dos 399 municípios do Paraná, foram gastos quase R$ 700 mil.
Além do espetáculo principal ''A Saga da Condessa Mariquinha e Sua Fiel Escudeira Mameluca'' previsto para ser apresentado no palco, outros 14 grupos amadores do interior também foram selecionados para montar um espetáculo que contasse a história, a cultura e a arte na ocupação do Estado. Cada grupo, incluindo o Movimento Estudantil de Teatro Amador, de Londrina, recebeu R$ 7 mil para a produção. ''Apesar de todo esse investimento não temos para quem apresentar os espetáculos porque o parque está fechado para o público'', lamenta a assistente de direção do projeto Cristina Herrera.
''A Saga da Condessa...'', dirigido por Itaércio Rocha, chegou a ser apresentado para algumas escolas públicas estaduais no início do ano, antes do fechamento do espaço. Cansados de esperar respostas do governo, os integrantes do projeto tomaram a iniciativa e fizeram duas apresentações fechadas para cerca de 400 professoras da rede municipal de ensino, na semana passada.
Dos grupos amadores selecionados, apenas um chegou a apresentar o espetáculo no Palco Paraná, os outros aguardam a reabertura do parque para montar nova agenda de apresentação. ''Nosso cronograma acaba em dezembro, se não apresentarmos os espetáculos até lá, todo o investimento terá sido desperdiçado'', diz Cristina se referindo tanto à verba quanto ao talento dos profissionais envolvidos.
Mesmo com o parque fechado, as 14 pessoas que integram o projeto Palco Paraná continuam trabalhando. A logística que envolve essa rotina como transporte, luz, água e limpeza é paga com recursos do próprio projeto. O governo, nesse caso, apenas empresta as instalações do parque. Quando o respaldo da Lei Roaunet acabar, porém, a construção do palco do projeto fica para o parque.
A mesma situação acontece com a equipe do projeto Circo da Ciência. O projeto, orçado em R$ 2,5 milhões, envolve a apresentação do espetáculo ''Circo Com Ciência'', dirigido por Maurício Vogue, e oficinas sobre o tema com crianças da rede pública de ensino. A meta inicial era para apresentar o espetáculo para cerca de 70 mil pessoas, mas nem 10% disso foram atendidos por causa do fechamento do espaço. Agora, a produção aguarda não só a definição por parte do governo, como estuda a possibilidade de estender o prazo de apresentação do projeto, conforme contou o produtor do Circo da Ciência Daniel Alegrette.
Mas a diretora de administração e finanças da Fundação da Universidade Federal do Paraná para Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Cultura (Funpar), responsável pelos dois projetos patrocinados pela lei federal, Lúcia Montanhini, já adiantou que o financiamento do Palco do Paraná e do Circo da Ciência acabam em dois meses e não podem ser prorrogados pelo Ministério da Cultura. ''Estamos aguardando a reabertura do parque para tentar atingir as metas dos dois programas ainda este ano'', diz.
Ela explica que o cronograma inicial acabaria em outubro e os dois projetos terão seus prazos estendidos até dezembro, quando acaba o contrato com o Ministério da Cultura, para tentar vencer o número de apresentação previstas na agenda inicial. ''Tanto a Petrobras como o Ministério da Cultura já foram avisados da interrupção dos projetos por causa do fechamento do parque'', salienta.
O assessor do gabinete da Secretaria de Estado da Educação, Mário Lunardi, foi indicado pelo governo para garantir a reabertura do espaço. Segundo ele, o parque foi fechado porque não apresentava total condições de segurança para atender ao público. ''De acordo com laudo do Corpo de Bombeiros, o parque precisava de uma série de obras, como a regularização do sistema de hidrantes'', revela. As obras que vão atender as exigências do Corpo de Bombeiros começaram há uma semana, cinco meses depois do parque ter sido interditado, e a previsão é que encerrem no próximo dia 15.
Se o cronograma das obras for cumprido, a meta da Secretaria da Educação é que o parque também reabra na segunda quinzena de outubro. ''E os projetos vão poder se apresentar normalmente'', diz Lunardi. Além do Palco do Paraná e do Circo da Ciência, o Parque da Ciência também deve apresentar o Exploratório e o Mundo do Campo, que vai mostrar experiências de agricultura orgânica. A previsão é atender principalmente, o público das escolas da rede estadual de ensino.


