Monteiro Lobato nunca escreveu sobre religião e sempre foi bastante discreto sobre este assunto. Mas, depois da sua morte, sua secretária pessoal lançou ''Monteiro Lobato e o Espiritismo as sessões espíritas de Monteiro Lobato''. Entristecido com a morte precoce por tuberculose dos filhos Edgar e Guilherme, ele teria, por influência de alguns amigos, tentado no espiritismo algum contato com os filhos, o que não chegou a acontecer. Era dele a responsabilidade de anotar as mensagens que eram presenciadas nas sessões, semelhantes ao ''jogo do copo'', em que o copo se movimenta em direção das letras do alfabeto dispostas em círculo. O livro atesta que ele não tinha dons mediúnicos, ao contrário da sua esposa Maria da Pureza da Natividade, ''Purezinha'', como ele costuma chamá-la.
Ferreira também conta que poucas horas antes de Lobato morrer, enquanto jantava na casa do amigo Yan Palhares, uma senhora disse que iria visitá-lo no dia seguinte, o que levou o escritor a afirmar: ''Amanhã, em minha casa, impossível. Encontrarão apenas um cadáver. Meu 'cavalo' está cansado, querendo colo, e o cavaleiro, curioso em saber pessoalmente se a morte é vírgula, ponto e vírgula ou ponto final''. Mal sabiam os presentes àquele diálogo que às 4 horas da madrugada do dia seguinte (4 de julho de 1948) Monteiro Lobato mais uma vez se antecipava no tempo.
Ao todo, Lobato teve quatro filhos Edgar, Guilherme, Marta e Ruth e dois netos: Rodrigo e Joyce, que hoje, aos 75 anos, mora em São Paulo. (A.P.N.)

mockup