Angeli inspirou-se neles para criar Os Skrotinhos. Mas antes e depois dele, sucessivas gerações de artistas foram influenciadas pelos ‘‘Sobrinhos do Capitão’’, a mais antiga história em quadrinhos em circulação no mundo.
Para a alegria dos iniciados, a editora Opera Graphica está lançando uma coletânea de tiras garimpadas no baú. O álbum pinça as travessuras de Hans e Fritz publicadas entre 1958 e 1964, período em que o humor da série competia diretamente com a popularização da televisão.
A revista traz mais de quarenta historinhas (uma a cada duas páginas), ambientadas numa imaginária ilha da Costa Africana onde nossos heróis se alojaram após um naufrágio. Hans (de cabelos escuros) e Fritz (de cabelos louros) são dois fedelhos, de 8 e 9 anos de idade respectivamente, que passam o dia aprontando traquinagens.
Dona Chucrutz, a mãe gorda e viúva, quase nunca puxa as orelhas dos garotos preferindo mimá-los com deliciosas tortas. A galeria de personagens inclui ainda a solteirona Dona Josefina (uma esnobe professora trazida para ensinar boas maneiras aos meninos), a astuciosa Beatriz (uma garotinha que quase sempre está com um pirulito na boca), o antipático Lilico (protegido da professora), o Capitão (um velho lobo-do-mar recolhido por Mamma Chucrutz) e o Inspetor (que representa a autoridade escolar).
Os dois últimos gastam metade do dia castigando Hans e Fritz e a outra metade sofrendo por causa deles. A série já completou mais de um século de existência. Batizada originalmente de ‘‘The Katzenjammer Kids’’, foi criada pelo desenhista Rudolph Dirks (1877-1968) – nascido na Alemanha e que se mudou com a família para os Estados Unidos aos 7 anos de idade.
As tiras estrearam em dezembro de 1897 no The American Humorist, o suplemento dominical em cores do New York Journal. Em 1913, a série originou uma disputa judicial. Dirks trocou de jornal e levou os personagens, o que fez o dono do concorrente a convocar outro artista (Harold H. Knerr) para continuar desenhando as tiras. O resultado é que os leitores passaram a acompanhar as diabruras dos moleques pelos traços dos dois criadores em duas publicações distintas.
Com o sucesso, a série ganhou adaptações para teatro e desenho animado. Nos anos 70, Hans e Fritz chegaram a protagonizar comerciais para a televisão norte-americana. A partir de 1986, as histórias passaram para as mãos de Hy Eisman. No Brasil, a série recebeu títulos diversos como ‘‘O Capitão e os Garotos’’, ‘‘O Capitão e os Meninos’’, ‘‘Os Sobrinhos do Capitão Barbaçudo’’ e ‘‘The Katzenjammer Kids’’.
Agora, como ‘‘Sobrinhos do Capitão’’, a revista mata saudades dos antigos leitores e parte para conquistar a garotada. A publicação inaugura a coleção Opera King, dedicada a escoar os clássicos da King Features Syndicate, a pioneira agência norte-americana de criação e distribuição de histórias em quadrinhos. Na sequência, serão lançados títulos de Popeye, Pinduca, Hagar, Recruta Zero, Mandrake e Príncipe Valente.
Serviço: ‘‘Os Sobrinhos do Capitão’’. Editora Opera Graphica. Tel. (11) 2255-8993. Preço: R$ 9,90.

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