O sucesso de público de ‘‘Pearl Harbor’’, de Michael Bay, trouxe a reboque uma discussão sobre as inconsistências históricas do filme. O xenofobismo e o patriotismo exagerado colocaram a imagem dos japoneses como vilões do acontecimento histórico de 1941, distorcendo completamente os fatos. Até o diretor Spike Lee se pronunciou sobre o fato. ‘‘Esse filme não conta a história, ele distorce’’. Os filmes classificados históricos, muitas vezes, promovem uma simplificação exagerada e condicionam omissões. A argumentação dos historiadores é que fosse inserido nessa vertente de películas a frase: ‘‘Baseado em uma história verdadeira’’.
Quando um filme leva o nome de um indivíduo real, como em ‘‘Malcom X’’, de Spike Lee, se pretende uma espécie de verdade. A platéia é levada a pensar que realmente aconteceram aqueles fatos. Isso dá a história uma certa legitimidade na mente da platéia. Já os cineastas argumentam que não existe uma visão correta da história, mas interpretações legítimas de um mesmo fato. Do mesmo processo histórico pode existir mais de uma versão razoável dos acontecimentos.
O cineasta Oliver Stone numa conversa com o historiador americano Mark Carnes no livro ‘‘Passado Imperfeito’’ (Editora Record), se defende contra as prováveis incongruências históricas de seu filme ‘‘JKF’’ (‘‘A Pergunta Que Não Quer Calar’’), que deturpou episódios históricos a ponto de torná-lo irreconhecível. ‘‘Acho que muitos historiadores vêm aos produtores com uma atitude de hostilidade. É como se a história fosse território deles, e como se nele não coubéssemos. Nós só pervertemos o paradigma com emoções, sentimentalismo e assim por diante’’, defende-se Stone. Ele advoga que os historiadores julgam-se donos dos fatos e da verdade, como se fossem sumos sacerdotes do antigo Egito. ‘‘Mas pelo que sei sobre a História, muitos desses temas são ambivalentes’’, declarou no livro Oliver Stone, que afirmou também que quando era estudante foi bom aluno nessa disciplina. (F.F.)

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