De forma humanizada e profunda, a publicitária Lau Patrón narra a experiência que a colocou em um momento limite da vida – seu filho João Vicente, hoje com sete anos, foi diagnosticado com uma doença rara há cinco, a Síndrome Hemolítico Urêmica Atípica (SHUA), que afeta o sistema imune e compromete as funções motoras. Os 71 dias na UTI de um hospital a levaram a uma reflexão e um convite aos leitores: “Não é sobre o João, nem sobre uma doença, nem sobre a maternidade. É sobre dor e amor. Sobre medo e coragem. Sobre a vida. Foi isso que essa experiência toda me trouxe: muita vida. Uma conexão potente comigo mesma. E essa potência sim, me deu força. Não pra viver uma situação específica, mas para fluir naquilo que acontece, bom ou ruim, com mais candura. Para aceitar aquilo que somos”, define.

Patrón integra as atrações do 15º Londrix – Festival Literário de Londrina e divide a mesa “Inclusão não é um favor! Mães, Filhos e Mundos”, com a londrinense Michelle Berbet Santos, gestora da Associação Famílias Especiais de Londrina. O evento será nesta quarta-feira (8), às 20 horas, no Museu Histórico de Londrina. Em sua participação, ela abordará a inclusão e defende que é preciso ultrapassar obstáculos óbvios - e até clichês - urgentemente, com afeto. “A inclusão é mais que um assunto espinhoso. É uma questão muito complexa que passa por camadas individuais e coletivas. As pessoas olham o tema como algo distante, difícil, que cabe ao Estado, à lei, à burocracia. E a verdade é que a realidade da inclusão só se muda efetivamente com educação. Entendo como meu papel, humanizar essas questões todas e mostrar que as soluções são possíveis e estão em nossas mãos, aproximando as pessoas”, expõe.

Lau Patrón: " 24,5% da população têm algum tipo de deficiência, isso é 1/4 do País, estamos falando de muita gente"
Lau Patrón: " 24,5% da população têm algum tipo de deficiência, isso é 1/4 do País, estamos falando de muita gente" | Foto: Divulgação

A empatia, para Patrón, é um ponto de partida para tratar a inclusão na sociedade. “A conversa precisa ser sobre diversidade, acima de tudo. Sobre ser gente. A autora considera que é preciso ir além. “Quebrar com essa ideia torta de que existe um padrão”. Para quem pensa que a inclusão não é problema delas, pondera: “olhando os números, os grupos considerados minoria no Brasil, os diferentes, são na verdade a maioria. 24,5% da população têm algum tipo de deficiência. Isso é 1/4 do País. Estamos falando de muita gente, estamos falando de um mundo diverso que hoje é construído para poucos. Precisamos entender que não é sobre o outro ser diferente de mim, é sobre sermos diferentes um do outro. Essa é uma conversa de todos. Quando nos preocuparmos realmente em ensinar sobre empatia e respeito, dentro de uma real convivência com a diversidade, não precisaremos mais da palavra "inclusão".

Referência no assunto, ela recebe diariamente mensagens de outras famílias. Há agradecimentos, desabafos, perguntas, pedido de indicações de tratamento. “Fico fazendo pontes o tempo inteiro. É uma experiência intensa, transformadora, muitas vezes dolorida e solitária. Tenho rodado o Brasil e conhecido grupos de mães, ONGs de mães, que me deixam muito orgulhosa. Mulheres que são capazes de ir além da sua vivência individual e constroem coletividade. Gosto de lembrar para elas que somos muitas. E que estamos juntas, de alguma forma muito profunda”.

SERVIÇO:

Mesa “Inclusão não é um favor! Mães, filhos e mundos”

Dia: Quarta-feira – 8 de maio

Horas: 20 horas

Local: Museu Histórico de Londrina – Rua Benjamin Constant, 900

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