INCENTIVO À PESQUISA - Semeando jovens cientistas
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terça-feira, 20 de outubro de 2009
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Há dez anos a disciplina de iniciação científica integra a grade curricular do Colégio Interativa, em Londrina. Desde a educação infantil o aluno tem liberdade de escolher os temas de estudo conforme o seu grau de interesse e pode aprofundar a mesma pesquisa nos anos posteriores. Nesse período, já foram mais de 50 premiações em feiras nacionais e internacionais. A desenvoltura e o espírito investigador dos alunos chamam a atenção e em alguns momentos nem parece que se está conversando com aprendizes de cientistas. No último dia 3, alunos e pais puderam conferir os mais variados experimentos dentro do 8º Simpósio de Tecnologia e Ciências, que reuniu 69 projetos nas áreas de ciências biológicas, exatas e humanas.
As alunas Gabriela Tanios Silva e Juliana Bertalha, ambas de 13 anos e cursando a 7ªsérie, decidiram pesquisar sobre a presença do caramujo transmissor do parasita que causa a esquistossomose no Lago Norte. Elas contam que tomaram conhecimento desse problema a partir de informações obtidas com funcionários da Vigilância Sanitária, da Secretaria de Saúde e postos de saúde. A esquistossomose é uma doença muito séria e a população que frequenta o Lago Norte ainda não está ciente do risco que está correndo, alertam.
Na fase inicial do estudo, sob a orientação do professor e biólogo Murilo Bernardi Rodrigues, elas optaram por fazer uma pesquisa de campo para coletar exemplares do caramujo nas margens do Lago Norte. Para não correrem riscos de contaminação, utilizaram luvas e botas de borracha, além de peneiras. No diário de bordo que elas mantêm, anotações de todas as etapas realizadas até o momento da pesquisa, incluindo informações aprofundadas sobre a doença e seus sintomas. A próxima etapa do projeto, que deverá ser concluído na monografia final da 8ªsérie, é fazer um esquadrinhamento do mapa do lago para, por amostragem, quantificar a população de caramujos. Vamos dar continuidade à pesquisa e o bom é saber que ela pode trazer benefícios para outras pessoas, comentam.
Outro bom exemplo de motivação à pesquisa foi o caso do aluno Guilherme de Araújo Pelissari, 12 anos, da 7ªsérie. Inconformado com os prejuízos causados por lagartas na lavoura de milho do seu avó, que não conseguiu controlar a praga nem com agrotóxicos, ele resolveu pesquisar algum produto natural que pudesse ser eficiente no controle do problema. Com essa ideia na cabeça, ele se uniu com mais dois amigos pesquisadores Paulo Henrique Giuzio e Leonardo Gomes Delarozza, de 13 anos e começaram a pesquisa no ano passado.
Inicialmente pesquisaram sobre as plantas que são consideradas tóxicas, como Santa Bárbara, espada-de-são-jorge, comigo-ninguém-pode. No laboratório da escola, começaram uma força-tarefa para a retirada do extrato das plantas. Em testes comparativos, foram testando os extratos e sua concentração adequada em lagartas que atacam milho e soja obtidas em parceria com a Embrapa e após muitas tentativas constataram que o extrato mais eficiente é o de comigo-ninguém-pode. Em 72 horas, tivemos 100% de mortalidade das lagartas que atacam o milho, comemora Guilherme.
A nova etapa da pesquisa consiste em repetir os testes de concentração do extrato e se preparar para um teste de campo sobre a eficiência do produto, que deverá ser feito no ano que vem em uma área fechada (com telas) cedida pela Embrapa para evitar a infestação da lagarta em áreas próximas, já que de 28 a 35 dias a lagarta vira mariposa e inicia um novo ciclo reprodutivo. O nosso objetivo é que esse produto possa ser utilizado pelos pequenos produtores e tem até um pesquisador da Embrapa que já demonstrou interesse em fazer uma análise química do extrato da planta, informam Guilherme e Paulo.
Já a aluna Julia Carvalho, 16 anos, optou por estender seu interesse científico, sendo que no Ensino Médio a disciplina de iniciação científica deixa de ser obrigatória devido ao vestibular. Como pesquisa individual, elaborou uma cartilha ecológica voltada para os alunos das séries iniciais, com orientações básicas sobre pesquisa ambiental. O material é resultado de um trabalho de pesquisa iniciado nos últimos dois anos em que analisou a água dos rios que passam em áreas urbanas. Nessa pesquisa me dei conta do quanto falta consciência sobre a importância dos cuidados com a água, o meio ambiente, e achei importante desenvolver uma cartilha que contribua na formação do cidadão, ressalta.
Na cartilha, explicações sobre processos de poluição, a importância do não desperdício, formas de analisar a qualidade da água, passo a passo sobre análise de dados e sugestões de ações práticas ecológicas. A cartilha foi
aplicada por Julia em alunos da 4ªsérie
do Colégio Interativa e de um curso supletivo
em uma escola pública.


