Em contação de histórias é comum a utilização de vários apetrechos como bonecos, instrumentos e acessórios em geral para tornar o momento mais envolvente, atrativo e prender a atenção da criançada. Seguindo esse princípio, em uma de suas atividades, a arte-educadora Daniella Fioruci utilizou um tapete diferente, produzido pela artista Patricia Cavalcante - que reúne cenário e personagem -, e percebeu o grande fascínio que causou nas crianças. Quis ir além, inovou e decidiu que, em seu próximo projeto, as crianças iriam desenvolver seus próprios tapetes e suas histórias.
No projeto "Costurando Histórias", portanto, realizado ao longo do ano com alunos da Escola Municipal Corina Mantovan Okano, no distrito de Maravilha, em Londrina, crianças de várias idades reproduziram diversas histórias que são contadas pelo mundo usando um tapete personalizado.
Porém, antes de chegar ao resultado final, muita "mão na massa" com agulhas e retalhos regados a criatividade e persistência para dar vida à história. Foram meses de trabalho intenso, mais de 40 encontros, até resultar em oito tapetes e numa apresentação cheia de entusiasmo e surpresas para alunos, professores e pais. O projeto teve apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).

INCENTIVO À LEITURA - Uma história costurada
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"Iniciamos o projeto com a contação de seis histórias, cada uma de um continente, que abordavam costumes e tradições de determinados povos. Aproveitamos e falamos o que cada região possui, como animais, comidas e cidades famosas. Eles ficaram fascinados com as novidades que ouviram e aprenderam", lembra Daniella. Para a fixação da história, fizeram atividades de mímicas, dramatização, além de escreverem e desenharem no papel todos os conhecimentos adquiridos. "A ideia, antes de tudo, é que a história ficasse gravada em todo o corpo deles. E esses tipos de ações trazem muito mais sentido quando apenas ouvidas", diz.
As histórias em questão foram "O cavalo e a raposa" e a "Bela Adormecida", do continente Europeu; "A lenda da mandioca", do continente americano; "O rouxinol do Imperador" e a "A ilha do sol", do continente asiático; e "Dakuwaqa", da Oceania.
Depois desse primeiro passo, foi hora de costurar de verdade a história escolhida. Com auxílio e orientação de ambas educadoras, mais a musicista Meire Valim, que desenvolveu algumas músicas com eles, as crianças deram asas à imaginação e começaram a criar seu universo e personagens. "Muitas nunca tinham pegado numa agulha antes ou cortado um pedaço de pano. No começo houve alguma dificuldade de manuseio, mas rapidamente muitos mostraram destreza e capricho nos pontos. A imaginação foi um destaque à parte; saíram diversas coisas interessantes", conta Patricia.
Por participarem do processo desde o início, o engajamento de todas as crianças foi fundamental. "Com isso, reforçaram noções de respeito, companheirismo e responsabilidade, porque o resultado final dependia de todos", destaca. Outro fator importante, segundo Patricia, foi a questão da autonomia, pois o tapete foi confeccionado da maneira que idealizaram, com a escolha de cor de tecidos, texturas e formatos. "Eles perceberam o poder que têm de criar a história, fazer seu próprio brinquedo e, ainda, desenvolver uma habilidade, que nesse caso foi a costura e a contação. O tapete foi o resultado máximo dessa expressão."
O envolvimento com a literatura por meio da brincadeira virou coisa séria e ultrapassou os objetivos iniciais, para as idealizadoras. "Com toda a certeza, esse trabalho fortaleceu a capacidade deles acreditarem mais em si e que todos têm algum talento, seja para fazer um ponto, cortar, desenhar e contar história. Foi um desafio grande, tiveram de ter paciência e viram que era possível superar. Acredito que a autoestima deles melhorou muito, além, obviamente, da criatividade e interesse pela leitura", finaliza Daniella.

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