Pelo sexto ano consecutivo o Projeto Folha Cidadania realizou mais uma edição do Concurso Pequeno Jornalista. Ao todo, foram inscritas 633 redações de 37 escolas participantes do projeto, abrangendo as cidades de Londrina, Cambé, Rolândia, Jataizinho e Alvorada do Sul. Um volume maior que o dobro do ano passado, quando concorreram 300 redações de 28 escolas.
Com o tema "O que já posso fazer para ter um futuro melhor?", alunos e professores foram incentivados a refletir sobre as atitudes do presente que podem influenciar em um futuro mais promissor tanto no âmbito pessoal quanto no coletivo. Preservar o meio ambiente, melhorar a qualidade do relacionamento entre as pessoas e a dedicação aos estudos foram algumas das ideias apresentadas com senso crítico e originalidade.
A premiação aconteceu na última sexta-feira, na sede da Folha de Londrina, e contou com a presença dos alunos selecionados, pais e representantes de secretarias de educação. O evento também teve a participação de Alexander Lukaszczuk, gerente de negócios do Sicredi, patrocinador do Projeto Folha Cidadania. A Livrarias Curitiba também apoia a iniciativa e forneceu kits escolares, compostos de agenda, caderno, minidicionário de inglês-português, estojo, canetas, lápis, mochila e livro. Cofrinhos coloridos do Sicredi, os Poupedis, também foram distribuídos, assim como certificados para alunos e professores. Um coffee break encerrou a solenidade.
Os critérios de avaliação consideraram os seguintes aspectos: originalidade, gramática, desenvolvimento do tema, evolução do tema e texto com no máximo 25 linhas. A comissão julgadora foi formada por oito colaboradores de vários setores da FOLHA: Adriana Ito (editora da Folha 2), Ana Paula Nascimento (repórter da Folha 2), Célia Guerra (editora de cadernos especiais), Paulo Sergio Silva (gerente da Contabilidade), Lilian P. Vasques Lopes (analista administrativo de Recursos Humanos), Lídia Martha Tereska (supervisora do Folha Cidadania), Luciano Bruno (Marketing) e Mikela Negrão (Marketing). A aprovação final foi realizada por Allessandra Andrade Vieira Méjia, responsável pela coordenação do Projeto Folha Cidadania, que está completando 18 anos de atuação tendo como principal objetivo o incentivo à leitura.
1º lugarIsabela Chiarelli Teté, 10 anos Escola Municipal Dr. Vitório Franklin Rolândia
Orgulho dos pais Acompanhada dos pais Cristiane e Marco Antonio, Isabella Chiarelli Teté era só alegria ao receber a premiação pelo primeiro lugar. Com sensibilidade, na sua redação ressalta a importância de uma infância feliz para uma vida adulta bem-sucedida. Leitora assídua, conta que "de primeira" já saiu o texto vencedor: "Não achei o tema muito difícil", diz. A família também foi destaque no seu texto e diz que os pais a apoiam muito para estudar e ajudam sempre que necessário. Nas horas vagas, ela adora brincar na rua com os amigos e seu hobby predileto é a dança do ventre. "Devo aproveitar a minha infância porque depois vou ter mais responsabilidades e obrigações. Às vezes penso em ser engenheira ou bióloga. Amo os bichos e a natureza", afirma. A professora Cláudia Poppi considera que o tema "mais reflexivo" do concurso instigou alunos e professores: "Ele foge dos temas transversais que as escolas estão mais acostumadas a trabalhar, mas foi muito válido parar para pensar nisso".
Um futuro melhor! Você sabia que com pequenas coisas conseguimos ter um futuro melhor? Estudar, sonhar e manter o foco são coisas importantes. Um fator muito importante é ter responsabilidade e organização, pois isso ajudará quando formos adultos. Fazendo a diferença, ajudando com a caridade e ajudando em casa já estamos melhorando nosso modo de vida. Temos também que ter o tempo com a família sempre unida almoços, jantares e igreja -, ser e ter uma família, porque é isso que nos faz ter família sempre unida. Temos também que ter o tempo de ser criança, de brincar, subir em árvores, ralar os joelhos e chegarmos sujos e cansados de tanto brincar. Porque, quando nós crescermos, seremos um adulto feliz que olhará para trás e verá que teve uma infância feliz. Que fez, mudou o futuro e garantiu um futuro melhor a todos que estavam a sua volta.
2º lugarLuan Victor Pontes da Rocha Santos, 10 anos Escola Municipal Irmã Hilda Soares Cambé
O futuro do meio ambiente Com um jeitinho tímido, letra miúda e capricho, o aluno Luan Victor Pontes da Rocha Santos conseguiu na sua redação elencar uma série de atitudes que já podemos fazer para garantir um meio ambiente melhor para todos: "Se não cuidarmos da natureza, não vai ter futuro para ninguém". Fã de "livros grandes", comenta que uma prima e o pai são seus principais incentivadores a ler. "Quando a gente lê, aprende mais, fica melhor informado", garante Luan, que estava acompanhado pelo seu avô. Aos 58 anos, o motorista aposentado Pedro Ferreira dos Santos relembra que muito cedo teve que começar a trabalhar para ajudar os pais e só conseguiu terminar o primeiro grau. Dos seus quatro filhos, apenas dois concluíram o segundo grau e sonha com os cinco netos formados. "Estou orgulhoso do Luan e essa premiação é um incentivo a mais para o seu futuro", comemora. A professora Roseli Pereira Lopes destaca que várias discussões foram realizadas em sala de aula para debater o tema e que o enfoque do trabalho foi o bem coletivo. "Como já fazemos o trabalho com o jornal em sala de aula, eles estão acostumados a refletir sobre assuntos diversos. O concurso é um grande incentivo, ainda mais pela possibilidade do texto sair no jornal. Essa vitória foi especial para mim", pontua.
O posso fazer hoje para ter um futuro melhor Para termos um futuro melhor, eu, meus amigos e o planeta podemos pegar o lixo do chão para que baratas, ratos e etc não apareçam para nos contaminar, podemos andar menos de carro para que o ar não se polua e não fiquemos doentes, usar os dois lados da folha de papel para escrever porque a folha é feita de árvore e para ter um ar melhor precisamos das árvores. Não jogar lixo nos bueiros porque isso causa entupimento e acontece inundações. Não deixar os navios petroleiros sujarem o mar com o petróleo e matarem espécies conhecidas e desconhecidas de peixes; fazer mais exercícios; quando tomar banho, é para desligar o chuveiro quando estiver se ensaboando para não gastar a água. Na minha opinião, todos temos que respeitar uns aos outros, inclusive os mais velhos, e os pais devem educar as crianças sem bater, apenas conversando. Não fumar porque faz mal e dá câncer; não jogar sacola no chão porque vai demorar 1000 anos para se decompor; jogar lixo que pode ser utilizado no reciclado; não matar animais porque a maioria deles nos dá uma vida boa; não roubar e nem matar; ir na escola todo dia e não gastar eletricidade. Não sei como o ser humano é um ser tão horrível, matando todos esses animais inocentes, Deus deve estar envergonhado de nós. Eu quero ver tantos animais e, graças a nossa raça, a maioria está extinta. Se eu pudesse voltar no tempo, tentaria o possível para ajudar o meio ambiente; as ruas estão um lixo; temos que salvar o planeta, as coisas boas, para que no futuro não seja pior do que é hoje.
3º lugarLaila Graziela Araujo de Andrade, 10 anos Escola Municipal Wilson Chamilete - Jataizinho
Garra e determinação Com franqueza e bastante assertividade, a aluna Laila Graziela Araujo de Andrade focou na própria realidade para refletir sobre um futuro melhor. Apaixonada por ginástica rítmica, ela vê no esporte a sua grande chance de ter melhores condições de vida. Em ritmo intenso, todos os dias ela participa de uma série de oficinas de um projeto social, sendo que duas vezes por semana ainda pratica ginástica rítmica em um outro projeto mantido pela Prefeitura de Jataizinho. Vaidosa, com biotipo que favorece essa modalidade esportiva e muita determinação, Laila parece estar no caminho certo. Morando com os pais e mais seis irmãos, diz que quer um futuro melhor para toda a família. Tímida, conta que ficou feliz ao chegar na escola e ver o cartaz de parabéns com o seu nome, anunciando a todos a sua classificação. A professora Juliana Borges de Souza avalia que foi um desafio conseguir concretizar o tema do concurso para os alunos e que se surpreendeu com a capacidade da Laila sintetizar suas ideias. "Ela conseguiu colocar os seus sentimentos no papel. Escreveu com o coração e a emoção, e essa conquista teve um significado especial para nós", afirma.
O que já posso fazer hoje para ter um futuro melhor Na minha idade posso fazer um monte de coisas: posso ir para a escola, posso ir para a catequese e posso ajudar a minha família e também posso fazer muita ginástica para que possa ter um futuro melhor. A ginástica é a minha vida. Ao sair da Escola Municipal Wilson Chamilete, vou para o projeto Coca [mantido pela Secretaria de Ação Social de Jataizinho] onde fico até cinco horas da tarde todos os dias. Ali recebo alimentação e cursos para conseguir ter uma profissão no futuro. Nos dias de terça e quinta-feira, com a professora Joana, me dedico ao máximo nos treinos para que um dia, quem sabe, eu consiga ser uma ginasta rítmica de sucesso. Sei que vou ter que me esforçar muito, pois não tenho muitas condições financeiras e terei que contar com a ajuda das minhas professoras e de Deus para conseguir chegar lá. Porque sonho em ter e dar um futuro para a minha família. Treino com muita dedicação, esforço e vontade de vencer. Já estou fazendo a minha parte para que eu possa ter um futuro melhor.