INCENTIVO À LEITURA - Histórias contadas, histórias interpretadas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de setembro de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
A fantasia do imaginário, a história bem contada, interpretação e criação. Desenvolvido para contar histórias, o Projeto Saci encanta crianças, adolescentes e jovens. Ênio Alexandre Monteiro da Silva, 22 anos, Rafael Francis, 25, e Luiz Gonzaga Oliveira Filho (operador de som), 20, levam uma história divertida a públicos diversificados mas igualmente atenciosos.
Tudo começou no Instituto de Educação Infantil, onde Ênio é bibliotecário e Rafael trabalha com pesquisa. Um antigo funcionário já trabalhava com as crianças utilizando fantoches e o grupo resolveu ampliar o trabalho incluindo novas linguagens. Eles utilizam sucata, utensilhos domésticos, interpretação e até o próprio fantoche para desenvolver atividades com as crianças. No instituto, a cada 15 dias há uma brincadeira de teatro com os alunos da pré-escola. Já o Projeto Saci, é uma iniciativa dos próprios jovens que levaram a peça para a Guarda Mirim e a creche Tia Lana. ''É uma linguagem de palhaço mas tem crítica à velocidade do mundo contemporâneo, por isso agrada todos os públicos'', diz Rafael, formado em história e teatro.
Os integrantes do projeto acreditam que o teatro é importante em todas as etapas da vida. ''A peça traz conteúdo. Há muitos meninos que convivem com violência e é legal mostrar alguma coisa que aponta para o caminho da alegria'', avalia Rafael. Ênio acrescenta que a apresentação feita na Guarda Mirim foi especial. ''A receptividade dos meninos foi ótima, eles prestaram atenção o tempo todo'', descreve. Depois da peça, os adolescentes foram convidados a fazer uma representação da peça por meio de desenhos e Ênio diz que ficou impressionado com a riqueza de detalhes expressa. ''Tinha coisa que nem a gente tinha se atentado e eles perceberam'', comenta.
A peça do projeto traz a história de dois jovens que nasceram na Europa em 1549. Um duende faz uma brincadeira com eles e os dois acabam parando no Brasil em 2004. Para resolver o problema, os jovens tentam encontrar um duende para voltar para a Europa e descobrem que não tem duende no Brasil. Durante a procura, eles encontram um saci e tentam prendê-lo de todas as formas. E assim a história se desenrola.
''Esse trabalho é uma expressão corporal com associação de outros recursos. A criança acaba viajando mais na história e aprendendo mais'', argumenta Ênio. Para eles, a peça instiga as crianças a buscar a leitura. ''Ela assiste a apresentação e vai ter interesse de ler aquela história'', completa. Como Ênio é bibliotecário, ele observa um aumento na procura de determiando livro quando ele é trabalhado no teatro. ''A criança pega o livro e muitas vezes vai contar a história para os pais'', relata.
Rafael destaca que durante uma das atividades no instituto uma das alunas surpreendeu. ''A gente estendeu uma colcha de retalhos e colocamos bichos. Começamos a contar uma história a partir de um livro daí uma aluna pegou o livro e começou a contar a história do jeito dela''. Eles avaliam que a simplicidade das brincadeiras que o teatro traz já não existe mais hoje em dia. ''Isso está se perdendo e é preciso resgatar'', garante Ênio. Para contar histórias, muitas vezes eles recorrem à própria sucata em que garrafas pet viram personagens de uma história que só a imaginação sabe onde pode terminar e recomeçar com outro final igualmente imprevisível.
Os integrantes do projeto avisam que quem quiser pode solicitar a apresentação nas escolas. Basta ligar para o instituto no telefone 3341-6733 e falar com Ênio ou Rafael. Eles estão tentando ir para Tamarana mas estão com dificuldade de locomoção. A peça não tem nenhum incentivo financeiro e tudo é custeado pelos próprios integrantes.


