INCENTIVO À EDUCAÇÃO - Uma aventura pela vida
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segunda-feira, 26 de março de 2012
Ana Paula Nascimento <br> Reportagem Local 
Eles são jovens, cheios de sonhos, bons alunos da rede pública de ensino e, por isso, participam do Clube Aventureiros do Amanhecer, que realiza todos os sábados de manhã, das 8 às 12 horas, no Parque Arthur Thomas, uma série de atividades recreativas gratuitas focadas em temas diversos como integração, cidadania, meio ambiente e saúde. Podem participar alunos de 10 a 18 anos.
Criada há 11 anos, a organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) vem motivando alunos com bom desempenho escolar de escolas públicas a construírem um futuro promissor através da educação. ''No Brasil, temos uma certa tendência a valorizar o que é errado. O foco do nosso trabalho é outro. É privilegiar o bom aluno, apoiá-lo, mostrar que estudar é importante, e proporcionar ações que o valorizem, ao invés de deixar que sejam alvos de chacotas exatamente por se destacarem nos estudos e no comportamento, e acabem desanimando'', pondera Charleston Luiz da Silva, 43 anos, um dos idealizadores do projeto.
Técnico de gestão pública da Prefeitura e professor de arte da rede pública, Silva durante 16 anos participou como recreacionista das saudosas colônias de férias da Universidade Estadual de Londrina. Com o fim dessa atividade (justificada por corte de verbas), muitos dos organizadores se sentiram ''órfãos'' e alguns se uniram para criar o clube, inicialmente uma organização não governamental, que recebeu o título de utilidade pública pela Prefeitura em 2003.
Além das boas notas, os participantes também precisam ter pais atuantes para garantir a sua vaga no projeto. ''Aqui a participação dos pais é fundamental; o projeto não se caracteriza como um 'depósito de crianças'. Uma vez por mês realizamos o Clube dos Pais e nesse momento debatemos nossas ideias, participamos de palestras e atuamos em conjunto. O nosso sonho é ter um núcleo do projeto em cada região da cidade'', conta Silva.
''Muitas vezes os pais desses bons alunos não têm condições financeiras de proporcionar atividades de recreação de qualidade para os seus filhos e procuramos tornar isso possível, contando com uma grande rede de apoiadores, como o curso de caiaque que realizamos há pouco tempo'', acrescenta Silva, lembrando que o atuação do clube busca fugir do trabalho dos chamados ''movimentos de campo'' tradicionais, como o escoterismo e os arautos.
O clube também foi um dos responsáveis este ano pela organização dos Embaixadores da Paz junto a 79 alunos selecionados do 6º ano do fundamental 1 da rede pública como forma de divulgar a cultura de paz na cidade.
Mais que atividades ao ar livre
Contando com o ambiente natural privilegiado do parque, cheio de árvores, lago e macacos pelas árvores, os alunos são saudados pela brisa da manhã e os primeiros raios de sol. Acordar cedo no sábado acaba se tornando um hábito e logo já estão dispostos para as mais diferentes atividades recreativas que podem acontecer a cada encontro.
Recentemente limpar o Córrego Picapau, que fica dentro do parque, foi uma aventura à parte. Sacos cheios de lixo foram a demonstração concreta do descaso da população. Pedaços de tecido, fraldas descartáveis e embalagens de salgadinhos foram alguns dos materiais recolhidos. No fim da atividade, além da contribuição concreta da limpeza do córrego, a sensação boa de dever cidadão cumprido.
Utilizando algumas denominações referentes à epoca antiga em que reis e princesas, duques e baronesas eram comuns, os jovens vão deixando se levar por um clima, um ''fundo de cena'', que ajuda a soltar a imaginação. Divididos em quatros grupos de reinos - água, terra, fogo e ar -, os jovens se revezam em funções específicas e trabalham a questão de autonomia nas decisões das atividades.
Projetos de pesquisa, palestras, atividades externas, cursos e oficinas também fazem parte do trabalho, que sempre se inicia com o hasteamento da Bandeira Nacional e o canto de um trecho do Hino Nacinal que foi suprimido nos últimos tempos, seguido de uma reflexão em grupo. ''Isso é até um diferencial nosso, e muitas vezes somos convidados em solenidades por apresentar exatamente esse trecho do hino que não é mais tão conhecido'', comenta Luiz.
No sábado retrasado, jogos de integração, revezamento e agilidade marcaram o encontro. Na primeira atividade, após desenhar círculos no chão, eles fizeram uma espécie de brincadeira que envolve a tolerância. Um divertida corrida de costas, em dupla, arrancou muitas gargalhadas do grupo, que também se divertiu com a ''corrida do bigode'' - onde não se podia deixar cair uma bexiga fininha colocada na parte superior da boca - e a ''corrida do caramelo'' - jogo em dupla em que ganhava quem conseguisse chegar mais rápido até a bala presa no meio de um pedaço de barbante.
Uma reunião com a professora de canto coral Camila Veiga fez parte da programação do dia; no repertório afinado, músicas sugeridas pelo coordenador do grupo e outras de preferência dos jovens.
A técnica de segurança do trabalho Sonia Mattos Luciano, 48 anos, está no último período do curso de gestão ambiental da Unopar e cumpre estágio obrigatório no projeto como monitora. ''Está sendo ótima a experiência, pois além de prestar um serviço social com as crianças, vemos na prática a importância da questão ambiental, o que muito contribui para a minha formação acadêmica'', avalia.
Cursando administração pela PUC, Diego Henrique Moraes, 21 anos, também está animado com o estágio em um projeto comunitário. ''O que mais me interessou foi o fato de poder trabalhar com crianças. Acho que vamos aprender e ensinar ao mesmo tempo. É legal sair da rotina e conhecer outras realidades'', afirma.
Interessados em participar do clube podem entrar em contato pelo tel. (43) 9995-8939 ou pelo http://ongcaa.blogspot.com.


