Imagem ilustrativa da imagem Incentivo à arte e à cultura brasileiras
Acima, peça da instalação O "Golpe do Corte" de Solon Ribeiro (CE) sobre 30 mil fotogramas que fazem parte de uma coleção iniciada nos anos 1950. Abaixo, foto do projeto "Pontes Sobre os Abismos" de Aline de Souza Mota (RJ) que aborda relações familiares, históricas e de memória em conexão com a contemporaneidade. Os projetos integram o Rumos Cultural 2015/2016



A crise econômica que o Brasil atravessa tem atingido em cheio a cultura nacional. O cenário caótico que o setor enfrenta tem provocado o cancelamento de eventos tradicionais e inviabilizado a realização de novas iniciativas. Em meio à recessão de políticas públicas que garantam a sobrevida do segmento, o anúncio da abertura do edital de R$ 15 milhões do programa Rumos para projetos artísticos e culturais no biênio 2017-2018 representa uma luz no fim do túnel a artistas e produtores de todo o País.

Desenvolvido pelo Instituto Itaú Cultural, o Rumos está completando 20 anos de atuação. O programa contemplará projetos ou trabalhos sobre arte e cultura brasileiras em qualquer expressão artística apresentados e desenvolvidos em qualquer tipo de suporte, formato, linguagem ou mídia. Também podem participar do processo atividades de documentação, que inclui a organização e preservação de acervos relacionados com a arte e a cultura brasileiras, além do desenvolvimento de pesquisas em arte e cultura nacionais. As inscrições foram abertas no dia 29 de agosto e prosseguem até 3 de novembro.

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"A crise no País torna mais relevante a abertura de um edital como esse", destacou Eduardo Saron, diretor do Instituto Itaú Cultural, ao explicar que o Rumos já recebeu 52 mil inscrições desde que o programa foi criado e contemplou 1,3 mil propostas que foram vistas por mais de 6 milhões de pessoas. Desde 1997, o Paraná teve 28 projetos aprovados.
Durante a coletiva de imprensa realizada na manhã da última segunda-feira (28), na sede do Itaú Cultural, em São Paulo, Saron salientou que nos últimos anos o Rumos assumiu a perspectiva da diversidade, dialogando com a cena contemporânea. Segundo ele, projetos que envolvem questões de gênero e raciais, e as ocupações de espaços públicos têm estado muito presentes nos projetos inscritos no programa.
Outra mudança apontada pelo diretor foi a reorganização do programa a partir das necessidades apontadas pelos próprios proponentes. "Rompemos fronteiras e fizemos mudanças importantes a partir da própria inscrição. Respondendo às perguntas que estão no site do Rumos a pessoa já está inscrita. E mesmo após efetuar a inscrição existe a possibilidade aprimorar o projeto, podendo alterar, acrescer ou retirar itens", detalhou ao informar que neste ano ferramentas de acessibilidade facilitarão a participação de pessoas com deficiência auditiva ou visual.

Eduardo Saron, diretor do Instituto Itaú Cultural, diz que o Rumos assumiu a perspectiva da diversidade, dialogando com a cena contemporânea
Eduardo Saron, diretor do Instituto Itaú Cultural, diz que o Rumos assumiu a perspectiva da diversidade, dialogando com a cena contemporânea | Foto: Fotos: Divulgação



A desburocratização do processo tem servido de incentivo para atrair novas propostas. "Cerca de 27% das inscrições que recebemos na última edição do Rumo foram de pessoas que nunca haviam participado de nenhum outro edital", ressaltou Ana de Fátima Sousa, gerente do Núcleo de Comunicação do Itáu Cultural.

Apesar das facilidades apontadas, alguns estados brasileiros ainda tiveram uma participação tímida entre os contemplados pelo programa. Com o objetivo de divulgar a abertura do edital 2017-2018 do Rumos, uma caravana percorrerá as 27 capitais do País entre os dias 4 de setembro e 26 de outubro. A Caminhada Rumos fará uma ação diferenciada em Aracaju (SE), Boa Vista (RR), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Macapá (AP), Maceió (AL), Palmas (TO), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC) e Teresina (PI). Nestas localidades, o encontro será mais dinâmico de modo a lançar um olhar mais apurado, exercer uma escuta e discutir a cena cultural local.

As inscrições para edital 2017-2018 do Rumos são gratuitas e podem ser feitas pelo site rumositaucultural.org.br. A lista com os projetos contemplados será divulgada no dia 28 de maio de 2018.

Festivais lutam pela sobrevivência

Os orçamentos públicos destinados a festivais artísticos realizados em diversas regiões do País sofreram uma redução de 30% a 50%. A crise financeira fez com que alguns eventos já tradicionais fossem cancelados por falta de recursos. Os dados são da Rede Brasileira de Festivais de Teatro, organização que acolhe mais de 60 eventos. A preocupação com a sobrevivência de importantes manifestações culturais motivou a entidade a solicitar uma audiência pública que acontece nesta quinta-feira (31), às 10 horas, na Câmara dos Deputados, em Brasília.

"Representantes de diversos festivais estarão presentes nesta reunião que também contará com a presença de integrantes do MinC e alguns deputados convidados por nós. Durante a audiência que será presidida pela Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados vamos solicitar a implantação de políticas públicas que garantam a realização dos festivais de teatro", afirma o mineiro Marcelo Bones, coordenador Rede Brasileira de Festivais de Teatro.

Como argumento, Bones pretende apresentar dados que, segundo ele, justificam a relevância artística e financeira dos festivais de teatro. Dados levantados pelo Observatório dos Festivais – site que reúne informações sobre os eventos em todo o País – dão conta que entre os anos de 2015 e 2016 os orçamentos de 25 festivais movimentaram mais de 50 milhões de reais, com um público superior a dois milhões de pessoas, gerando mais de 15 mil empregos diretos. Foram mais de 400 espetáculos nacionais e internacionais que circularam no país.

"Nossa intenção é conseguir apoio para garantir a continuidade das ações desenvolvidas, lembrando os parlamentares que a organização de um festival acontece durante o ano inteiro e que um evento que sofre uma descontinuidade tem muita dificuldade de retomar a produção. É urgente, inadiável e premente a construção de uma política pública para o setor, que responda aos desafios colocados pelo avançado estágio de complexidade das artes cênicas brasileiras. Que seja capaz de criar um sistema orgânico, democrático e participativo, que viabilize a sustentabilidade dos festivais, e ainda, que vislumbre ações e metas de longo prazo, destinadas ao fomento deste estratégico segmento", enfatiza Bones.

O repórter viajou a São Paulo a convite do Instituto Itaú Cultural

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