INCENTIVO - Prêmio para as culturas indígenas
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segunda-feira, 04 de setembro de 2006
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Fortalecer as iniciativas para recuperação da cultura indígena em todo o Brasil é um dos objetivos do Prêmio Culturas Indígenas, que teve lançamento oficial ontem, em Curitiba. O prêmio integra uma ação do Ministério da Cultura, da Secretaria da Diversidade e Identidade Cultural, em parceria com a Associação Guarani Tenondé Porã e vai selecionar, até o final do ano, 80 iniciativas de comunidades indígenas e organizações indígenas de todo o Brasil. Cada comunidade contemplada vai receber R$ 15 mil reais para dar continuidade a um projeto de recuperação cultural. Podem se inscrever no processo de seleção, iniciativas ocorridas nos últimos cinco anos ou em processo de execução há no mínimo um ano.
Só no Paraná, existem 27 aldeias indígenas, todas aptas a participar do prêmio. São cerca de 12 mil índios vivendo nessa aldeias. A pergunta é se essas pessoas receberam capacitação anterior para realizar a inscrição e participar do prêmio que pode ajudar a resgatar algumas tradições das aldeias ou se já esbarrariam nesse processo inicial de seleção. Para o coordenador Administrativo da Arpin Sul (Articulação dos Povos Indígenas do Sul), Romancil Cretã, qualquer dúvida no processo de seleção poderá ser solucionada em cursos de capacitação que a Arpin Sul vai ministrar já a partir dessa semana nas aldeias do Paraná. O mesmo deve acontecer nas outras regiões.
As aldeias indígenas vão poder inscrever projetos em 15 categorias: religião, rituais e festas tradicionais; língua indígena; mitos, histórias e outras narrativas orais; músicas, cantos e danças; textos escritos; teatro e histórias encenadas; áudio-visual (cds, cinema, vídeos e outros meios eletrônicos); memória e patrimônio (documentação, museus e pesquisas aplicadas); medicina tradicional; alimentação (plantio/coleta de produtos naturais e culinária tradicional); jogos e brincadeiras; artesanato; pinturas corporais, desenhos, grafismos e outras categorias de expressão simbólicas; arquitetura tradicional; educação e práticas educacionais que valorizem as tradições indígenas.
Cretã dá um exemplo de um projeto que pode se inscrever ao prêmio: o resgate da festa do Kiki-Kóy, tradicional entre o povo Kaigang e que não é realizada há 15 anos. ''O desaparecimento da festa enfraquece a comunidade indígena porque diminui a prática dos rituais e expressões da etnia'', considera. Atualmente, existem ações que tentam refazer a festa para as novas gerações e é esse tipo de iniciativa que caracteriza o público-alvo da premiação.
Essa é a primeira vez que as culturas indígenas são beneficiadas por uma ação do Ministério da Cultura. O prêmio vai acontecer anualmente destacando sempre uma personalidade indígena. Nesta edição, o homenageado é Ângelo Cretã, liderança Kaingang, natural de Mangueirinha (PR), primeiro vereador indígena eleito no Brasil em 1976. Pai de Romancil Cretão, Ângelo foi morto em janeiro de 1980.
O Prêmio Culturas Indígenas é patrocinado pela Petrobrás, por meio da Lei Rouanet, lei federal de incentivo à cultura. Informações podem ser obtidas pelo telefone 08007740240 ou no site:
www.cultura.gov.br/premioculturasindigenas


