Curitiba A garagem é uma espécie de símbolo do rock. Espaço onde bandas que fizeram, fazem e ainda devem fazer sucesso nascem e sobrevivem antes de alçar vôo. O ícone que faz parte do imaginário de todo amante do gênero também dá nome a um projeto inédito em Curitiba: ''A Grande Garagem que Grava''. O projeto integra o programa Residências Culturais do Novo Rebouças, patrocinado pela Fundação Cultural, e já gravou, ao vivo, CDs de 12 bandas curitibanas. A meta é completar 16 gravações, além de discos reunindo trabalhos de poetas paranaenses. A gravação acontece durante os shows que as bandas fazem no local obviamente uma garagem todas as sextas-feiras e alguns sábados do mês, e não tem custo algum para as bandas. Hoje é a vez da banda Pelebrói Não Sei subir ao ''palco''.
Todo o processo, desde a gravação à prensagem, passando pela produção do material gráfico, é feito pela ''Grande Garagem'', exceto a distribuição do disco, que fica a cargo das bandas. O projeto é um braço da ''Central Homem de Ferro'', que também fazia parte das Residências Culturais no ano passado. ''Só que a Central tinha outro objetivo, fazia gravações, mas também promovia workshops e palestras'', conta Luiz Ferreira, que toca o projeto ao lado de Rodrigo Barros. Ambos são músicos e conhecem de perto o universo musical independente de Curitiba. Pois ao contrário dos boatos disseminados por aí, a capital é sim um berço do rock e a proposta dos dois músicos prova isso.
''Além das bandas selecionadas, recebemos e-mails todos os dias de músicos querendo saber se podem integrar o projeto. E não só daqui, de todo o País'', conta Ferreira. Tanto que a proposta original, que era gravar apenas oito bandas curitibanas, ganhou reforço e serão produzidos o dobro de CDs. O critério para escolher as bandas, além de ter sido pessoal, conforme aponta Ferreira, também levou em conta a trajetória de cada grupo, o trabalho autoral e o profissionalismo.
Já se apresentaram na garagem e gravaram discos, os Maremotos, Gengivas Negras, Wandula, Sinfonética Comunitária Flutuante, Sara 572, Catalépticos, Maxiche Machine e Carlos Careqa e Mordida. Pelebrói Não Sei grava hoje e nas próximas semanas ainda serão produzidos discos das bandas Prima, CTBA e Beijo aa Força. O projeto funciona como uma corrente. Cada banda recebe, grátis, 35 discos. A meta é que a prórpia banda comercialize os discos e tenham necessidade de comprar novas cópias. Aí sim, o material é cobrado, mas com um custo bem inferior ao de uma gravadora comercial.
O projeto só acontece dessa forma, segundo revela Ferreira, porque existe patrocínio. A Fundação Cultural de Curitiba está investindo R$ 60 mil na ''Grande Garagem'', verba que vale para um ano. ''Sem esse recurso seria impossível o projeto acontecer'', analisa o músico. Mas para ele, as coisas vão ficando mais fáceis a medida que se tornam contínuas. ''Acho que a dificuldade maior fica com as bandas, que têm que colocar o disco no mercado'', diz.
A ''Grande Garagem que Grava'' não se resume aos discos, incluindo aí a produção dos shows. Soma-se ao trabalho, a produção gráfica dos CDs, que é padronizada e outros detalhes igualmente importantes. A caixinha do disco, feita em plástico reciclado, por exemplo, é comprada de uma empresa paulista e montada no local. O projeto ainda está gravando os poemas e escritos de autores paranaenses, como Mário Bortolotto e Rodrigo Garcia Lorca. ''Ligamos o microfone e deixamos o cara falar, depois a gente vê o que dá'', brinca Ferreira. Vinte e quatro escritores já gravaram seus trabalhos e o produto final deve ficar pronto em setembro.

Serviço:
- ''Pelebrói não sei''. Show-gravação hoje, às 19 horas, na Grande Garagem que Grava. Rua Santo Antônio, 900, em Curitiba. Ingressos a R$ 3,00.

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