INCENTIVO - Aprendendo a comer bem
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segunda-feira, 06 de agosto de 2012
Ana Paula Nascimento <br> Reportagem Local 
A infância é um período rico em experiências e aprendizagens e vale a pena aproveitar a predisposição das crianças ao que é novo para também estimular nelas os bons hábitos alimentares. Segundo dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 20 anos os casos de obesidade mais que quadruplicaram entre crianças de 5 e 9 anos no Brasil - um quadro preocupante que torna ainda mais pertinente as ações das escolas em parceria com a família para uma alimentação mais saudável.
Na Escola Mundo Encantado, de Londrina, o Projeto Alimentação Saudável implantado neste ano está sendo trabalhado com os alunos da educação infantil ao quinto ano do ensino fundamental. Na última Feira de Ciências da escola - realizada antes do início do recesso escolar -, os alunos de 4 a 5 anos puderam mostrar um pouco do que aprenderam como as explicações sobre a pirâmide alimentar, os nutrientes dos alimentos e a importância da alimentação correta.
Lanches naturais com patê de frango preparados por eles na aula de culinária com alguns ingredientes cultivados na horta da escola, como alface, tomate, cenoura e cheiro verde, também fizeram parte das ações dos pequenos para divulgarem o tema de pesquisa. Com capricho, os lanches foram até decorados com ''carinhas'' feitas de uva-passa e salsinha.
''Sempre procuramos enfocar a parte lúdica nas nossas ações de incentivo à refeição saudável. Depois que eles aprendem o básico de uma boa alimentação na infância, fica tranquilo na fase adulta'', afirma a coordenadora Vaniza Goulart Costa, responsável pela educação infantil. ''E a escola tem que realmente ser parceira dos pais, pois a maioria das crianças fica em período integral. Dessa forma, fica para os pais a necessidade de reforçar na hora do jantar e no final de semana os conceitos que trabalhamos aqui'', acrescenta Vaniza.
E o trabalho tem dado bons resultados. Relatos dos pais comprovam que as crianças já estão exigindo mais salada e frutas nas refeições e estão compreendendo que as guloseimas precisam ser consumidas com moderação. Responsável pelo desenvolvimento do projeto, a professora Aline Vidal Groto também está sendo diretamente beneficiada por ele, já que está grávida e conseguindo manter hábitos alimentares mais saudáveis. ''Eu também tive que me reeducar porque sempre gostei de fast-food. Como fazemos o lanche juntos, preciso dar exemplo e eles adoram experimentar novos sabores'', conta a professora.
Ao reforçar a importância da escola e da família falarem ''a mesma língua'', Aline lembra de um aluno que chegou a relatar que o pai dizia que ''só quem come cenoura é o coelho''. ''Aqui mostramos que não é assim..., fizemos juntos bolo de cenoura, salada, e estudamos os seus nutrientes que fazem bem à pele, ao cabelo e às unhas. É interessante mostrar a eles as diversas possibilidades de um mesmo alimento. Outra novidade que chamou a atenção foi descobrirem a riqueza nutricional da casca da maçã, que não tinham o hábito de comer. São informações que eles aprendem rápido e levam para vida toda'', conclui.
A mãe de um dos alunos da escola, a auxiliar administrativo Elaine Joyce Pereira Baía afirma que ficou muito satisfeita com a iniciativa da escola: ''Antes eu ficava inventando uma série de misturas para tentar fazê-lo comer legumes e verduras. Cheguei até a criar o 'suco Shrek', batido com folhas verdes e frutas, mas nada dava resultado. Agora ele aprendeu a gostar do sabor dos alimentos, sabe o que está comendo e toda a nossa família passou a ter uma alimentação mais saudável. Estou muito feliz'', comemora.


