Há seis meses, os cinéfilos londrinenses receberam com entusiasmo a notícia de que novas salas de exibição seriam inauguradas na cidade até o início de 2003.
Tanto o Catuaí Shopping Center quanto o Royal Plaza Shopping abririam novos espaços, dobrando a capacidade de cinemas em Londrina. Na ocasião, o Cine Teatro Ouro Verde passava por reformas e sua posterior reabertura reforçava o otimismo do público. A nova Casa de Cultura da UEL também sinalizava para a construção de uma sala de projeção.
Passada a euforia, a expectativa é de espera em alguns casos e de frustração no caso do Cine Teatro Ouro Verde. Reinaugurado há pouco mais de um mês, o local permanece sem o projetor multimídia prometido pela gestão recém-encerrada do Governo do Estado. E a sonhada compra de um novo projetor de filmes 35 mm virou pesadelo de verão.
O argumento oficial é de que a aquisição dos equipamentos ficou inviável com a disparada do dólar. A nova secretária estadual da Cultura, Vera Mussi, estaria ainda ''tomando pé da situação'' segundo Kennedy Piau, diretor da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina (UEL), responsável pela administração da sala.
Feita às pressas, a reforma da mais tradicional sala de exibição de Londrina passará nos próximos dias por uma perícia técnica, coordenada por engenheiros e arquitetos da universidade. A Secretaria de Cultura também pretende criar uma comissão para avaliar a obra. De acordo com Piau, os projetores antigos do cine-teatro que foram desmontados durante as reformas, junto com a inutilização da tela poderão ser restaurados e transferidos para a nova sede da Casa de Cultura, localizada na antiga Mayrink Goes, esquina da Rua Mato Grosso com a Avenida Celso Garcia Cid.
A idéia é construir uma sala dedicada exclusivamente ao cinema, com realização de mostras e seminários, além das exibições. ''O projeto arquitetônico já está pronto. Agora estamos detalhando o orçamento. Já existe inclusive uma verba de R$ 200 mil, aprovada no Orçamento por emenda do deputado federal Florisvaldo Fier Rosinha (PT)'' informa Piau, que não quis adiantar nenhuma data para a entrega das instalações.
No Catuaí Shopping Center, duas novas salas se juntarão às cinco já existentes. As obras já foram iniciadas e estão em fase de fundação. A administração dos espaços ficará a cargo da Empresa Cinematográfica Araújo Passos, que gerencia as outras salas do local. O superintendente Silvio Carvalho Neto afirma que os dois novos cinemas terão capacidade para 400 lugares cada. ''Eles contarão com uma série de vantagens tecnológicas, como a qualidade de som e imagem e poltronas reclináveis'' diz ele. A previsão de inauguração é para o mês de junho.
No Royal Plaza Shopping, a entrega das cinco novas salas que estariam girando as catracas já neste começo de ano foi adiada para o segundo semestre.
Os novos espaços serão dotados de sistema Dolby digital de áudio, projeção de última geração, poltronas stadium (disposição em formado de arquimbancada) e telas top-mosk (modelo em que se aproveita o máximo de sua superfície). Todas as salas terão acesso pela praça da alimentação, a exemplo das duas salas já existentes.
Cada uma terá 350 lugares. Segundo Marcos Barros, diretor da empresa operadora Cinesystem, duas das cinco salas ''serão espetaculares''. Por serem maiores, os espectadores contarão com mais recursos de tecnologia e conforto. Um projeto intitulado ''Um Outro Olhar'' será implantado com o objetivo de atender à clientela mais exigente.
''Serão sessões de filmes não-comerciais, voltadas para a discussão da arte cinematográfica com debates após as exibições'' avisa ele, acrescentando que o projeto já existe em salas de Maringá e Ponta Grossa. Está previsto também a criação do ''Cartão Fidelidade'', através do qual o cinéfilo acumula pontos a cada vez que vai ao cinema podendo trocá-los por ingressos ou produtos da bomboniére.

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