Rio, 29 (AE) - A versão carioca do Instituto Moreira Salles (IMS) será inaugurada sexta-feira, às 20 horas, com a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso. A sede do braço cultural do Unibanco no Rio vai funcionar na mansão onde morou o embaixador Walter Moreira Salles (pai do cineasta do mesmo nome), na Rua Marquês de São Vicente, na Gávea, zona sul da cidade, aos pés do Morro Dois Irmãos, um dos cartões-postais da cidade.
O projeto é ambicioso, a começar pelo local escolhido para o centro cultural. O terreno tem 10 mil metros quadrados com jardins de Burle Marx (que assina também o painel de azulejos da piscina). A área construída é de 2,2 mil metros quadrados, com quatro salas de exposições, espaço para aulas, reserva técnica, biblioteca, auditório, ateliê, cafeteria e até um pavilhão para receber hóspedes. História - A sede do IMS carioca faz parte da história do Rio. Nas décadas de 50 e 60 foi palco de grandes recepções dadas pelo embaixador e banqueiro Walter Moreira Salles e sua mulher, Elisinha. A própria inauguração, em 31 de dezembro de 1951, foi um marco nas colunas sociais cariocas. A mansão foi projetada por Olavo Campor Redig, um dos arquitetos que revolucionaram a paisagem brasileira entre os anos 40 e 60.
Redig vai ser o tema de uma das exposições do IMS carioca em outubro. Esboços, plantas e desenhos dele vão ser mostrados na sala 1 do centro cultural. As outras serão ocupadas por exposições de imagens do Rio antigo. Numa delas ficarão 22 trabalhos do "álbum de Highcliffe", com desenhos, aguadas e aquarelas de artistas das missões francesa e inglesa, feitos entre 1825 e 1826. Em outra sala estarão fotos do Rio feitas por Augusto Malta, Marc Ferrez (cujo acervo pertence ao IMS), George Lauzinger e outros, entre 1862 e 1927, ou seja, nos primórdios da fotografia.
A coleção de Gilberto Ferrez (filho do fotógrafo Marc Ferrez e principal colecionador da obra do pai) vai ser guardada na reserva técnica do museu, que funcionará no andar térreo, numa área de 600 metros quadrados, com laboratório de restauração. Lá estarão também trabalhos de alguns dos pioneiros da fotografia no Brasil, os negativos do antropólogo Claude Lévi-Strauss de sua estada no Brasil, nos anos 30, e as imagens de São Paulo feitas pelo imigrante italiano Vicenzo Pastore, nas duas primeiras décadas deste século.
O público vai conhecer o Instituto Moreira Salles a partir de terça-feira, quando serão inauguradas as exposições. No dia 7, será inaugurado o cinema do IMS, com a exibição de documentários do início do século, sobre hábitos e festas cariocas nas décadas de 10 e 20. No dia 13, começa a semana de homenagem à poetisa Ana Cristina César, que terá lançamento de livros dela e sobre ela. Neste dia, o IMS receberá oficialmente acervo da poetisa, doado por seu pai, Valdo César.
Ainda dentro da programação de abertura, será lançado "Rio de Janeiro, 1862-1927: álbum Fotográfico da Formação da Cidade", com 150 fotos da coleção do IMS. O livro terá três versões com preços diferentes e encarte com texto em português e inglês. Sua versão sonora será o CD "Rio de Janeiro, 1842-1920: Uma Trilha Musical", que também estará à venda no centro cultural. O Instituto Moreira Salles carioca vai funcionar de terça-feira a domingo, das 13 às 20 horas.

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