Outro disco que anda circulando pelo FML é ‘‘Jazztrio’’, do guitarrista Djalma Lima. Professor da Oficina de Improvisação do evento desde 1998, Djalma fez uma edição especial do disco exclusivamente para trazê-lo a Londrina.
Reduzido ao formato contrabaixo, guitarra e bateria, ‘‘Jazztrio’’ é um mergulho de Djalma Lima como compositor e intérprete de jazz, principalmente nas vertentes pós-be bop. Lima navega contra a corrente evitando a incidência de temperos nacionais, mantendo o gênero dentro de sua ambientação natural, tanto harmônica quanto rítmica.
A ausência de brasilidade é proposital. Ao dispensar a mistura, Djalma Lima opta pelo universo que o ajudou a definir os rumos tomados na carreira musical. Embora agregue referências de alguns guitarristas, Lima é influenciado por compositores que tocam sopros e piano. O repertório traz ‘‘Nardis’’ (Miles Davis), Infant Eyes (Wayne Shorter) e ‘‘Moose the Mooche’’ (Charlie Parker), além de três composições de Djalma Lima e um standard, ‘‘Beautiful Love’’ (Young/King/Alstyne).
‘‘Há três anos estava querendo gravar, e queria voltar a Londrina com meu disco. Coloquei na cabeça que faria o lançamento na cidade. O CD foi gravado sem megaprodução, ao natural. Conversamos e fizemos vários takes de cada música, para aproveitarmos os melhores’’, explica Djalma. Como as cópias não ficaram prontas a tempo, o guitarrista fez uma tiragem pequena para trazer ao Festival.
‘‘É um disco muito simples, de trio, mas é o que eu queria fazer, um disco de jazz em que não há ritmos brasileiros. Não é por preconceito, mas é o que eu venho trabalhando há tempos’’, comenta.
O disco traz referências diretas do be bop, mas também passa pelas décadas de 50 e 60, inclusive por gravações da Blue Note e efervescências do hard bop, responsáveis pelos momentos mais febris. Quem quiser um laivo de nacionalidade poderá encontrá-la em ‘‘Flavor’’ (Djalma Lima), com uma pegada que passa perto da bossa nova.
Os improvisos de Djalma Lima agregam técnica, conhecimento teórico e percepção, sem abandonar aspectos intuitivos. Essa mescla também é perceptível no convívio da guitarra com a bateria e o contrabaixo, alternando momentos de descontração com intensidade, de velocidade com minuciosidade melódica.
‘‘Jazztrio’’ saiu pelo selo Garda Jazz, da casa noturna homônima. Os contatos com Djalma Lima podem ser feitos pelo e-mail [email protected] ou no site www.djalmalima.com.br.

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