Impressões de um 'gaikokujin'
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de setembro de 2010
Rafael Ceribelli<br> Reportagem Local 
Eu gosto de sushi e carrego uma admiração pelo traço único das histórias dos mangás, mas preciso admitir - com alguma censura - que nunca antes havia participado de um evento que englobasse todos os aspectos culturais do Japão. Só comecei a ter uma idéia da forte identidade cultural que carrega o Londrina Matsuri quando ouvi de longe - ao entrar no estacionamento meio cheio do Parque de Exposições Ney Braga, na noite do último sábado - a reverberação de alguém cantando uma música em japonês. Minha missão era a de sentir todo o clima que envolve essa recepção da primavera, e talvez tentar arriscar alguns passos no chamado Matsuri Dance, atração principal das noites do evento.
Pela primeira vista já é possível perceber que o tom da festa é alegre e familiar, com várias gerações unidas jantando na praça gastronômica ou passeando pelos estandes, e jovens - descendentes ou não de japoneses - andando com touquinhas em formato de orelhas de cachorro ou cabelos espetados e coloridos.
Caminhei surpreendido pelo corredor do Parque de Exposições, decorado cuidadosamente com várias lanternas japonesas e que, com o pano de fundo da música tradicional, me fizeram sentir dentro de alguma história Samurai do século passado. Essa impressão ficou ainda mais forte quando começou a apresentação do Ryukyu Koku Matsuri Daiko - um desfile em que vários tambores em sincronia são combinados com um espetáculo de bandeiras coloridas.
Logo após a apresentação do Ryukyu, teve início a tradicional dança de Bon Odori que, apesar de ser uma alegoria ao dia de finados japonês, é levada por um tom alegre e jovial, no qual as pessoas se reúnem dançando em círculos. ''O Matsuri Dance é uma forma de atualizar essa dança tradicional'' comenta Henrique Taques, mais conhecido como ''Albino'', e que participa todo ano do festival. ''É muito legal. Todo mundo se reúne na frente do palco e se diverte seguindo as instruções dos dançarinos'', ensina.
Como previsto, uma pequena multidão começou a se aglomerar e, na hora em que foi anunciado o principal evento da noite, o espaço em frente ao palco já estava completamente tomado pelo público. Confesso que fui pego de surpresa pelo som da banda do Grupo Sansey, que é pontuado por seis tambores que ficam em frente ao palco, e se apresenta como uma mistura pegajosa de rock e pop japonês.
Quase sem perceber, em pouco tempo eu estava tentando - sem sucesso - seguir com precisão os passos das coreografias divertidas, e do meu lado um público misto de crianças e adolescentes, homens e mulheres de várias idades, também entravam no clima e tentavam seguir os passos no ritmo certo. ''Eu adoro essa dança. É muito legal ver todo mundo, principalmente os mais jovens, dançando e cantando junto. Esse novo jeito de apresentar a cultura japonesa é incrível'' disse o empolgado Cláudio Shizuo, de 44 anos, enquanto dançava a coreografia junto com toda sua família.
Apesar de eu não conseguir seguir com precisão os passos do Matsuri Dance, posso dizer que minha ida ao festival foi uma missão cumprida. Saí de lá com uma caricatura em estilo mangá, um kirigami, um Daruma realizador de desejos, um guarda chuva em forma de pato e várias caixinhas com sushi. Fui embora com o bolso vazio, mas carregando um sorriso satisfeito e um novo olhar sobre a cultura japonesa. Se você ainda não teve a oportunidade de comparecer ao Londrina Matsuri neste ano, ainda dá tempo: o festival continua hoje, das 10h às 23h.


