O cinema, seus personagens e encantos são o tema do livro ‘‘Como Deixar um Relógio Emocionado’’ (Editora Scritta), que reúne as crônicas do ator e diretor José Wilker, publicadas na Revista da Net e no Jornal do Brasil. ‘‘Não sou diferente de ninguém, apenas gosto de cinema desde garoto’’- adianta Wilker.
Há quase dois anos, um acaso fez com que o ator revelasse ao público suas anotações sobre os filmes a que assistia (em média, um por dia). ‘‘Fazia isso por puro prazer, sem intenção de publicá-las’’- afirma. Um dia, tentando driblar um repórter insistente que queria entrevistá-lo sobre cinema, Wilker mandou um texto para a Revista da Net. Impressionado, o editor resolveu convidá-lo para ser cronista.
‘‘Como Deixar um Relógio Emocionado’’ reúne 56 crônicas escritas nos últimos dois anos. ‘‘Há momentos em que escrevo como ator, uma pessoa que reconhece os truques usados pelo cinema’’- diz Wilker. ‘‘Mas, às vezes, apenas me deixo levar e comover’’. Foi assim que escreveu ‘‘Réquiem para Rubens e Troisi’’, mistura das saudades do ator Rubens Corrêa, morto no início do ano, e as impressões que lhe causaram o filme ‘‘O Carteiro e o Poeta’’.
Humor e ficçãoEntre as críticas sobre filmes, há espaço para o humor e ficção. Wilker faz crônicas humanas, com personagens que vivem dramas e situações cômicas. ‘‘Às vezes, misturo histórias de pessoas que conheço e crio um personagem.’’ Em ‘‘Um Filme para Vera Fisher’’, de dezembro de 1995, Wilker fala de um amigo que queria ser James Dean e, por causa de um romance impossível, fugiu para Londres.
No final, o ator faz comparação entre o amigo e Vera Fisher, que viveu o mesmo tipo de exílio de si mesma. ‘‘Vera tem um talento monumental, teima em se agredir, mas continua deslumbrante.’’ Ser crítico, na concepção da palavra, ou um ‘‘impressionista’’, é algo que Wilker discute consigo mesmo. ‘‘Existe uma linha fina entre ser subjetivo e indicar um caminho para o leitor e deixar que ele decida.’’
Segundo ele, o papel da crítica é essencial para a cultura cinematográfica, porque recupera detalhes que passam despercebidos para o espectador. ‘‘Mas fazer crítica não é derramar um monte de agressões sobre aquele ou este diretor, simplesmente porque nos desagrada.’’

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