Imprensa tem museu em Niterói
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domingo, 31 de março de 2002
Clarissa Thomé<br>Agência Estado 
Rio - Quando a Remington lançou o seu modelo de máquina de escrever número um, nos Estados Unidos, em 1873, o Brasil já conhecia a tecnologia. Ela fora inventada pelo padre brasileiro Francisco José de Azevedo, em 1861. O manual dizia que o equipamento lembrava um piano: Ella tem dezasseis teclas, cada uma das quaes, em vez de produzir um som como no piano, imprime sobre a tira de papel uma letra do alphabeto (sic), explicava o texto.
A história da primeira máquina de escrever é contada no livro A Máquina de Escrever, Invenção Brasileira, editado pelo Serviço Estadual de Assistência aos Inventores de São Paulo. O livro é parte do acervo do Museu da Imprensa Brasileira, o primeiro no País, que será inaugurado amanhã, em Niterói, no Grande Rio. O museu vem sendo gestado desde 1989, pelo Centro de Pesquisa e Preservação da Memória da Imprensa Brasileira, formado por jornalistas.
Ao longo dos anos, o grupo amealhou doações de maquinário antigo, móveis das redações do passado, exemplares de jornais (o arquivo tem 3 mil diários de todo o país). Mas não havia um local para guardar o acervo. O ex-prefeito de Niterói Waldenir Bragança doou em caráter temporário um terreno no fim da década de 90 e a Associação Brasileira de Jornais do Interior (Abrajori) construiu uma sede provisória. Mas, na primeira gestão do jornalista Jorge Roberto Silveira à frente da prefeitura, o terreno foi retomado e abrigou uma seção da Companhia de Limpeza Urbana. Imprensa é um lixo, mesmo, ironiza o jornalista Jourdan Amora, presidente do Centro de Pesquisa.
Pertence a Jourdan grande parte do acervo do museu. Ex-repórter dos jornais Última Hora, Diário Carioca e Jornal do Brasil, Jourdan é dono desde 1965 do diário A Tribuna, com circulação em Niterói. As antigas máquinas de secagem dos filmes fotográficos, de fotolito, os tipos de madeira e de chumbo, que formavam as linhas de jornal, de sistemas ultrapassados de impressão estarão expostos no museu, que ocupa um salão de 600 metros quadrados na sede da Imprensa Oficial do Estado.
Entre as idéias da museóloga Ângela Peixoto, que está organizando o acervo, está a montagem de uma redação das antigas. Escrivaninhas em madeira preta, no lugar da fórmica branca atual, as máquinas de escrever, que perderam a vez para o computador, voltarão ao seus lugares, ao lado da mesa da secretária, uma máquina endereçadora, que imprimia com chumbo o nome e endereço dos assinantes. Também será lembrado o telex, máquina de transmissão de textos, precursora do fax, e o telefone preto.
Uma das máquinas mais belas que ocupam o salão é um linotipo modelo 5, número 66030. O equipamento foi produzido em Nova York, na Mengenthaler, fábrica do inventor da máquina, que compunha e fundia em chumbo os caracteres, até formarem uma linha completa. Os processos de impressão serão explicados em painéis espalhados pelo museu. Haverá ainda uma sala de vídeo para apresentar fitas sobre a história do jornalismo na televisão e no rádio.
O museu terá também uma exposição itinerante. Os organizadores esperam da Companhia Suzano de Papel uma réplica da máquina usada por Gutemberg para imprimir a primeira bíblia - fato considerado como o início da imprensa.
O Museu da Imprensa Brasileira também recebe doações. O telefone para contato é 0xx21 2620-1122, ramal 163.


