Imprensa estrangeira reage a 'Estorvo'
Saíram nas edições de ontem as primeiras críticas ao longa-metragem brasileiro na competição, o Estorvo de Ruy Guerra. Como se esperava, a reação foi negativa, mas atenuada não pela boa vontade mas pelo pouco espaço e discreta visibilidade nas páginas dedicadas ao festival.
O Variety, que circula aqui com edição diária exclusiva sobre a mostra, diz que Turbulence (o título a ser adotado nos países de língua inglesa) é estritamente para admiradores do cinema abstrato. É um filme duro demais para se gostar. O Nice-Matin, sob o título Ruy Guerra sembrouille (alguma coisa como Ruy Guerra se atrapalha), encerra a crítica de maneira melancólica: Pensionista do festival depois dos anos 70 e dos bons tempos do Cinema Novo, do qual foi um dos fundadores, Ruy Guerra se beneficia aparentemente de uma carta branca que permite a ele apresentar aqui tudo e não importa o que. Desta vez, é mesmo não importa o que.
O Liberation não ameniza o tom: O filme é um enigma que nem a morte do personagem principal se encarrega de resolver. Do princípio ao fim vemos desfilar imagens de suficiente mau gosto para interrompermos a experiência. Nas publicações que mantêm cotações diárias da crítica, Estorvo conseguiu a façanha de reunir a unanimidade em torno da condenação. (C.E.L.J.)





