Órfã de pai e mãe, Jocimara Pereira, 24 anos, aluna do segundo ano do curso de Pedagogia da UEL, conhece bem o que é ter que enfrentar dificuldades financeiras para estudar. Atualmente ela recebe uma bolsa auxílio de R$ 300,00 por fazer parte do projeto Afroatitude do governo federal, financiado pelo Ministério da Saúde, que além de promover debates sobre a conscientização negra, dedica-se a trabalhos de prevenção de DST/Aids.
Ela divide o aluguel de uma apartamento com mais três amigas e não tem vergonha de assumir que se beneficiou do sistema de cotas para estudar em uma instituição pública. Antes da UEL, chegou a estudar numa insituição particular da cidade - quando ainda não havia o sistema de cotas - e trabalhou como babá, no Mc Donald's e em uma escola em Cambé para conseguir pagar as suas despesas. ''Hoje é mais tranquilo, mas teve um tempo em que não tinha dinheiro para o xerox'', lembra a aluna.
Bastante politizada, Jocimara disse que nunca enfrentou uma situação direta de preconceito na universidade, mas já sentiu de forma velada esse sentimento. ''Mas o importante é a pessoa ter consciência da sua identidade e da sua capacidade para também não ficar achando que todo o tipo de situação ocorre porque ela é negra. E há o outro lado da questão, do aluno cotista que tem vergonha de assumir que o é. Eu mesma conheci uma pessoa, que só depois de quase um ano ela assumiu que era cotista por ter sido beneficiado com uma bolsa auxílio'', destacou Jocimara.
Atualmente 50 alunos da UEL são beneficiados com bolsas auxílio do Afroatitude. No Brasil, 10 instituições recebem o auxílio, totalizando 500 alunos.
Como apoio financeiro, o Governo Federal também disponibiliza os programas Prouni e Fies para o financiamento de estudos em instituições particulares, sendo o primeiro por renúncia fiscal. Desde 1999, 380 mil contratos para o Fies foram efetivados e 204 mil, desde 2005, para o Prouni.(A.P.N.)

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