IMPASSE Guerreiros com guerreiros fazem zigue-zigue-zá
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quarta-feira, 28 de maio de 2003
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governo do Paraná está empenhado em trazer para Curitiba a mostra ''Guerreiros de Xi'an e Tesouros da Cidade Proibida'', atualmente instalada na Oca, em São Paulo. A mostra, que já reuniu mais de 600 mil pessoas e vai até o dia 8 de junho no Parque do Ibirapuera, está prevista para acontecer também no Museu Oscar Niemeyer (MON) do dia 1º de julho a 30 de agosto.
A diretora do Museu Oscar Niemeyer, Maristela Requião, afirma que a exposição estará em Curitiba na data anunciada e que o museu, que ainda carece de reformas, estará em plenas condições de recebê-la. A diretora e primeira-dama acompanhou uma missão chinesa e representantes da Brasil Connects, empresa responsável pela mostra no Brasil, em uma visita ao museu na última terça-feira, justamente para fazer uma avaliação do espaço e constatar as condições do museu.
Caso a mostra volte para a China, será difícil trazê-la de volta, já que as coleções que compõem a exposição raramente deixam seu acervo. Tanto pelo valor histórico como pela fragilidade do material. São 11 guerreiros e dois cavalos, esculpidos há mais de 2 mil anos. Além de Os Guerreiros de Xi'An, os Tesouros da Cidade Proibida reúnem 150 objetos emprestados do Museu do Palácio Imperial.
As duas exposições atravessaram diversos períodos e dinastias da China, desde 7.000 A.C. até os dias atuais. As grandes pupilas da mostra são as estátuas em terracota, descobertas na década de 70 por meio de escavações arqueológicas. Elas já foram expostas no Museu Guggenhein de Nova York e de Bilbao, na Espanha. Para Maristela Requião, trazê-las ao Paraná será um ''grande desafio'', provavelmente o maior na sua estréia como diretora de museu.
Maristela prefere não adiantar importantes informações como por exemplo se o Paraná terá de pagar para abrigar a mostra. A Brasil Connects, só pelo seguro, já gastou quase R$ 2 milhões. O que ainda não está claro o assunto é mantido sob sigilo para não atrapalhar as negociações é se o governo do Paraná teria de pagar adicional para garantir a permanência da mostra no País, bem como se teria de negociar com a Brasil Connects ou diretamente com o Embaixada da China.
''Não vou divulgar isso (valores) porque ainda estamos em negociação'', diz Maristela. ''Mas eu afirmo que a mostra vem para o museu.''
A Folha entrou em contato com a Brasil Connects ontem à tarde, em São Paulo, e a assessoria de imprensa da empresa, que falou em nome de Emílio Kalil, diretor executivo do projeto da exposição chinesa, negou que a data e o local da exposição estivessem confirmados e disse apenas que existe uma ''negociação'' no sentido de trazer a mostra para Curitiba.
Para abrigar a mostra chinesa no MON, o governo do Paraná terá que correr contra o tempo para terminar as obras que não foram concluídas ao final da inauguração do espaço, em dezembro passado, na gestão do então governador Jaime Lerner (PFL). No início de maio, o atual governo comunicou o custo total para a conclusão dessas obras: R$ 4,3 milhões. Quase a mesma quantia do orçamento da vinda da exposição chinesa a São Paulo, que custou R$ 4,5 milhões.
A Embaixada da China já manifestou interesse em ''esticar'' a exposição em território brasileiro. De acordo com o adido cultural da embaixada chinesa em Brasília, Wang Zhemmao, a decisão deve-se à grande procura que a exposição causou nos espectadores do País. Questionado por repórteres de São Paulo, ele tem negado as especulações de que a permanência da mostra seria uma medida de segurança sugerida pelo Ministério da Saúde brasileiro contra a propagação da gripe asiática, a Sars.
A permanência da mostra no Brasil implica na manutenção de quatro técnicos chineses todo o tempo no País (essa primeira etapa está sendo cumprida pela BrasilConnects). Para desmontar a exposição, uma nova equipe da China, de cerca de sete pessoas, teria que vir para o Brasil. Segundo a Folha apurou, a permanência da mostra não seria por conta de uma decisão do ''cinturão sanitário'' do Ministério da Saúde, mas sim para corresponder a um desejo diplomático de apresentar aos brasileiros a cultura chinesa, conforme defende a embaixada.


