IMPASSE - Contrato expira e o Cine Ritz pode fechar
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O impasse que envolve o Cine Ritz, mantido pela Fundação Cultural de Curitiba e um dos mais tradicionais da cidade, ainda não foi resolvido. O cinema corre o risco de fechar por conta de um imbrólio que se arrasta desde o ano passado, ainda na gestão anterior da FCC. O contrato de comodado, firmado entre o proprietário do prédio e a Fundação, expirou anteontem. Agora, para que o cinema continue no local, o atual responsável pede R$ 15 mil de aluguel mensal pela sala. A assessoria de imprensa da Fundação informou que assumir o valor é inviável, já que mesmo sem arcar com custos de locação, por conta de acordo anterior, o cinema já gera um prejuízo anual de R$ 125 mil por ano.
No ano passado, o Cine Ritz exibiu 143 filmes em 1.437 sessões. A marca é boa para um cinema alternativo, não fosse a ínfima taxa de ocupação do espaço: uma média de 18 espectadores por sessão, 25% deles não pagantes. De acordo com a Fundação, para equilibrar o prejuízo financeiro da sala, o número de espectadores teria que subir para um mínimo de 80 por sessão. Esse surreal aumento, no entanto, dependeria de uma série de reformas na sala, que tem 264 lugares, e no equipamento de projeção, o que consumiria recursos na ordem de R$ 300 mil que não estão na pauta da FCC.
O fechamento do cinema divide opiniões. ''Deve fechar mesmo. Quem não tem condições de manter não pode ter um cinema nessa situação'', protesta a empresária Cloris Ferreira, responsável pelo Festival de Cinema de Curitiba. Segundo ela, as condições das salas de cinema mantidas pela Fundação são inviáveis. ''Eu comparo os cinemas da FCC com a Idade da Pedra. As condições das salas, incluindo a do Ritz, são impróprias para atender o público''.
Já para o cineasta Luciano Coelho, o fechamento do Cine Ritz seria uma grande perda para a cidade. ''Sou de uma geração que cresceu indo ao Cine Ritz. O cinema foi muito importante para a formação dos cineastas que atuam na cidade hoje'', opina.
Mesmo expirado o prazo do contrato de comodato, a Fundação ainda não tem previsão para que o impasse seja resolvido. O cinema funciona no local há 20 anos e caso um novo acordo não ocorra, a FCC espera que exista um tempo determinado para a desocupação da sala. Por enquanto, o cinema está funcionando normalmente.


