IMPASSE - À espera de investimentos do governo do Estado
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de julho de 2007
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Entre respostas curtas e uma ligação celular interrompida a secretária de Estado da Cultura, Vera Mussi, reafirmou à Folha2 que o repasse do patrocínio de pelo menos R$ 50 mil para o Festival Internacional de Londrina (FILO) foi indeferido. Ao ser questionada se o governo irá comprir a promessa de remeter o mesmo valor ao 26º Festival de Música de Londrina (FML), a secretária estadual de Cultura limitou-se a dizer: ''Acho que sim. Está em curso. Temos que conversar com a Secretaria de Planejamento. Fica difícil eu ficar falando sobre valores''.
Já que a verba não deverá sair do governo estadual, através da Secretaria de Cultura, a organização do FILO decidiu bater na porta da Copel, que surge como uma possível investidora do evento.
Ontem pela manhã, Vera Mussi estava se deslocando a Catanduvas (50 quilômetros ao Sul de Cascavel), aproveitando a viagem para justificar a impossibilidade de conceder entrevista. A secretária participaria da inauguração de uma biblioteca do projeto da sua pasta em parceria com a Biblioteca Pública do Paraná, Secretaria de Assuntos Estratégicos, Desenvolvimento Urbano e de Obras Públicas e prefeituras, beneficiando até o final do ano 101 municípios, com uma acervo de 2 mil livros e um telecentro, incluindo cinco computadores com acesso à internet.
''Sobre o FILO já foi colocado que o recurso está indeferido. Acho que tem várias pessoas solicitando a revisão desse indeferimento'', resumiu Mussi.
O diretor do Festival Internacional de Londrina (FILO), Luiz Bertipaglia, afirmou que o próprio vice-governador, Orlando Pessuti, estaria tentando conseguir ao menos o mínimo - os R$ 50 mil - que o governo havia prometido. ''Tentei falar com ele (Orlando Pessuti) pela manhã, mas não consegui. Quero ver se até o final da tarde (ontem) eu consiga algum contato para ver se sai alguma coisa. Na verdade ainda estamos esperando que isso fique solucionado . Se não ficamos numa situação complicada'', disse o diretor do FILO.
Bertipaglia espera que a liberação de R$ 50 mil torne o déficit do festival administrável, entre R$ 50 mil e R$ 70 mil. Nos bastidores da polêmica, a Copel aparece como uma tábua de salvação para o FILO. ''Foi ventilado isso. Podemos, através da Lei Rouanet, obter recursos junto à Copel. O prazo de captação termina dia 31 de julho, mas podemos prorrogá-lo para, no mínimo, o final de setembro. É uma saída bastante viável'', afirmou Bertipaglia.
Com a retirada do patrocínio do governo ao FILO, alguns setores chegaram a pensar na possibilidade da organização do festival cobrar o repasse na justiça. ''Entrar com uma ação contra o governo até pode, mas a gente não pensa em fazer isso até porque não é uma solução. Não vamos criar um fato desse. Não é o caso. Temos o governo como parceiro. Isso está totalmente descartado'', concluiu Bertipaglia, acrescentando que, em relação a edição dos 40 anos do festival, em 2008, a preocupação da organização é igual a de sempre. Ou seja, nunca é possível ter certeza dos recursos que poderá contar.
Ao contrário do FILO que, inicialmente contava com R$ 350 mil do governo estadual, mas que não viu nem os R$ 50 mil a que foi limitado o repasse, o FML esperava o apoio de R$ 200 mil, aguardando ainda uma definição sobre a liberação de R$ 50 mil. ''Com certeza sai esses recursos. Há uma proposta de rever esse valor para mais'', afirmou a secretária quando questionada se pelo menos R$ 50 mil seriam repassados ao FML.
Assim como o Festival de Música de Londrina, o 1º Festival Internacional de Cascavel (FICA), já começou a programação, mas também aguarda uma definição do Estado sobre recursos. Mussi disse que o apoio ao FICA ainda está em processo. A reportagem insistiu, mas a ligação caiu. Outras tentativas ocorrerram, mas o celular da secretária não atendia.
O FICA reúne este ano, a 18º Mostra Cascavelense de Artes Plásticas, o 18º Festival de Dança, 18º Festival de Música, 22º Festival de Teatro e o 2º Festival de Cinema, eventos que aconteciam durante o ano e que passaram a ser realizados no mesmo período. Os festivais de Teatro e Cinema não contam com recursos do Estado, mas os de Dança e Música, anualmente, recebem investimentos do governo. Na edição anterior, os dois festivais receberam cada um cerca de R$ 25 mil. A expectativa dos organizadores é de que o governo estadual confirme investimento no mesmo valor este ano, o que ainda não aconteceu.


