IMIN 100 - Aprendendo as maravilhas do Japão
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segunda-feira, 23 de junho de 2008
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Cem anos é um marco importante. E na visão das crianças esse número ganha uma dimensão ainda maior. Na última quinta-feira à tarde dezenas de grupos de estudantes visitaram a Exposição Imin 100, no Parque Ney Braga, encerrada domingo, que celebrou o centenário da imigração japonesa. Os alunos de escolas públicas tiveram entrada franca e no rosto de todos estava estampada a alegria e encantamento por conhecer a exposição temática. Os detalhes e capricho minucioso - típicos da cultura japonesa - podiam ser percebidos logo na entrada do local. Forrado com um tapete vermelho, o portal de entrada ficou ainda mais bonito com a ornamentação no alto de coloridas tanabatas (enfeites japoneses feitos de papel), tsurus (pássaro feito de dobradura de papel) e lanternas de delicado tecido. A limpeza do local também chamava a atenção.
Nesse dia, acompanhamos a visita de 46 alunos de 1 à 4 série da Escola Aliança. Com o objetivo de fazerem uma verdadeira pesquisa de campo para dar mais subsídio para a feira sobre a cultura japonesa que estão preparando para sexta-feira, os alunos também distribuíram para os funcionários e visitantes da Imin texto que elaboraram em homenagem ao centenário. ''Há um mês estamos trabalhando esse tema de forma interdisciplinar com os alunos e neste ano não vamos nem fazer a Festa do Homem do Campo para aprofundarmos sobre a cultura japonesa, que também tem muito a nos ensinar'', destacou Ângela Maria da Silva Ribeiro, coordenadora de projetos da escola.
Um dos primeiros locais visitados pelos estudantes foi o estande dedicado ao karatê, prática esportiva de origem japonesa. Após assistirem a uma pequena apresentação de praticantes da Academia Oguido Dojô, os estudantes puderam tirar dúvidas sobre o esporte que até o final da feira foi praticado em um total de 100 horas. Um dos questionamentos foi sobre o porquê de determinados gritos antes dos movimentos. O professor Claudemir Biano explicou que cada movimento expressa uma forma de energia trabalhada na região do abdômen e que o grito é uma forma de exercitar isso.
Depois, os alunos ficaram admirados com as telas de mosaicos de arroz criadas por Hideko Goto e Yassuharu Ueda. ''Que lindo!'' era o que mais se ouvia dos visitantes mirins. Dispostas de maneira a contar de forma cronológica a história da trajetória dos japoneses no Brasil, as criativas telas também traziam legendas explicativas. A saída do navio Kasato Maru, do Japão, no dia 18 de abril de 1908, com 781 imigrantes a bordo e a sua chegada no porto de Santos (SP), dois meses depois, também foram retratadas detalhadamente. Os cafezais, a plantação de algodão, os equipamentos agrícolas, a integração cultural, as Cataratas do Iguaçu e até o Monte Fuji não passaram em branco na visão dos artistas.
No espaço onde tradicionalmente ficam expostos bovinos durante as feiras agropecuárias, os estudantes puderam conferir diversas facetas da cultura nipônica no ''Projeto Japão'' com trabalhos produzidos por alunos de escolas públicas e particulares de Londrina. Origamis, mangás e até uma miniatura do navio Kasato Maru fizeram parte da mostra.
Mas o que definitivamente foi unanimidade na preferência das crianças foi a Exposição de Tecnologia e Robótica. Em um pavilhão especialmente decorado com panos pretos e monitores com roupas futuristas os alunos fizeram uma verdadeira viagem ao avançado mundo tecnológico em que os japoneses também são importante referência.
A adrenalina era tanta que os estudantes não conseguiam ficar parados. Ao entrarem na sala escura, foram recepcionados por um grande robô que lembrava um transformer do desenho animado. Mais à frente, telões gigantes demonstravam a tecnologia ''air touch'', em que apenas o movimento das mãos sobre um pequeno monitor já seleciona as imagens e tópicos que o telespectador deseja assistir.
Uma exposição explicativa sobre a história do computador também foi destaque, além de dois pequenos robôs movidos a controle remoto. Na saída, um carro que vira robô foi a sensação da criançada, que dançou ao ritmo das músicas eletrônicas do Robocar.
A aluna Milena Kobayashi, 9 anos, gostou do que viu e contou que mesmo sendo mestiça teve muita coisa na feira que foi novidade para ela. ''Principalmente os enfeites'', comentou. Ela também disse que quando tinha cinco anos visitou o Japão com seus pais para conhecer os parentes que moram lá - avós e tios. ''O Japão é muito diferente do Brasil, mas eu gostei. A feira está muito legal e interessante e nunca os meus pais ou avós conversaram comigo em detalhes sobre a imigração. Hoje aprendi que no começo não foi nada fácil'', concluiu.
A feira cultural sobre a imigração japonesa realizada pelos alunos da Escola Aliança será aberta à toda comunidade. O evento acontece nesta sexta-feira, das 14h às 18h30, na Rua Alexandre Grahan Bell, 755 - Jd. Jamaica.


