Imigração ganha as livrarias
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terça-feira, 17 de junho de 2008
Rodrigo Juste Duarte<br> Equipe da Folha 
Assim como aconteceu com os mangás, hoje é comum encontrar nas livrarias brasileiras diversos títulos relacionados à cultura nipônica. Culinária, arte, escrita, conversação, biografias, história e comportamento relacionados ao Japão são alguns dos tantos temas com leituras disponíveis. ''A mídia tem dado atenção a este tipo de leitura. Em consequência disso, as livrarias expõem mais os produtos nas prateleiras, e aí a procura e as vendas aumentam'', justifica Aline Gonzaga, assessora da Editora JBC.
O centenário da imigração é um dos temas que ganhou mais títulos este ano. A editora M. Books lançou ''Brasil Japão 100 Anos de Paixão'', reunindo fotografias e depoimentos de 200 personalidades. ''Sôbô - Uma Saga da Imigração Japonesa'', de Tatsuzo Ishikawa, ganhou edição em português. Uma das tradutoras é Maria Fusako Tomimatsu, professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Não é de hoje que a imigração ganhou as livrarias. No Paraná, os pesquisadores Claudio Seto e Maria Helena Uyeda publicaram, em 2002, ''Ayumi (Caminhos Percorridos)'', que traz um amplo trabalho de registro da imigração japonesa em Curitiba e no litoral do Paraná, incluindo reproduções de imagens e documentos da época.
Clássico absoluto no Japão, ''Musashi'' - o livro mais vendido da história do país -, também chegou ao Brasil antes de se falar em ''invasão nipônica''. A história do mitológico samurai é sucesso de público e tem venda constante há quase 11 anos. ''A versão brasileira é a única publicada na íntegra no ocidente'', enfatiza Angel Bojadsen, diretor da Editora Estação Liberdade, detentora do título. ''Além do público se interessar por cultura japonesa, Musashi vende bem porque sua história lida com valores filosóficos universais'', explica.
''O Livro dos Cinco Anéis'', outro livro popular do autor, também ganhou edição nacional através da Editora Conrad, que tem se dedicado muito aos mangás. A boa aceitação do filão motivou a editora a lançar também títulos relacionados à cultura nipônica. ''Uma coisa puxou outra'', comenta o editor Rogério Campos. ''A resposta do público foi surpreendente. Para se ter uma idéia, nosso livro sobre kanji (tipo de escrita japonês) já vendeu 60 mil exemplares, e os volumes da série 'Japonês em Quadrinhos' foi adotado como material didático em escolas'', orgulha-se.


