IMIGRAÇÃO, COTIDIANO E TRANSFORMAÇÕES ALEMÃS
Elisa Marilia Carneiro
Quatro exposições, no terceiro andar do Memorial de Curitiba, contam a saga do povo e dos imigrantes alemães, em diversas linguagens
A cultura e a história da imigração alemãs são o tema das exposições, que ocupam, a partir de terça-feira, o 3º andar do Memorial de Curitiba. Duas mostras fotográficas, dois conjuntos com imagens e textos sobre Johann Wolfgang Goethe e ainda uma outra coletânea de 25 painéis, fazem parte da programação do 4º Congresso Brasileiro de Professores de Alemão, promovido pelo Instituto Goethe.
Quarenta painéis formam a exposição Goethe - Um Último Gênio Universal, que mostra o desenvolvimento do talentoso Goethe como um destacado expoente do mundo intelectual europeu. Outro conjunto, com 25 painéis, versa sobre A Doutrina das Cores de Goethe, considerada pelo próprio escritor a sua obra mais importante. Este ano, comemora-se o 250º aniversário de nascimento do poeta alemão.
Das exposições fotográficas, uma delas é a do fotógrafo gaúcho Ricardo Teles, que realizou um ensaio sobre as colônias de imigrantes alemães no Brasil, e a outra, uma coletiva de fotógrafos de Berlim, cada um apresentando suas visões pessoais sobre aquela cidade.
Imagens de Berlim é a exposição que reúne o trabalho dos nove fotógrafos da agência Ostkreuz, do Serviço de Informações e Imprensa da Cidade de Berlim. Testemunhas das transformações ocorridas permanentemente na cidade, os fotógrafos fazem flagrantes do cotidiano de uma maneira única e pessoal.
O que se pode mostrar numa exposição fotográfica sobre Berlim que já não se conheça ? Esta cidade, sempre nova e sempre mutante, transforma continuamente sua face, sem deixar de resguardar os vestígios do tempo e de sua história. Nos últimos anos, a mudança realizou-se de maneira radical: o muro caiu, a divisão da Alemanha e da Europa acabou e o continente começa a reencontrar seu equilíbrio político, econômico e cultural, Os desafios no final do século XX são grandes, em toda parte e também em Berlim, afirma o prefeito de Berlim Eberhard Diepgen.
Desta forma, seus habitantes, personagens, artistas, monumentos e principalmente os canteiros de obras revelam o impulso modernizador que tomou conta de Berlim nos últimos anos, desde a queda do muro e da reunificação da Alemanha.
Metrópole européia no centro de uma nova Europa, Berlim vence gradativamente a divisão cultural e política, procurando encontrar seu antigo equilíbrio. As estruturas da cidade que se perderam com a divisão estão sendo reconstruídas. A exposição apresenta uma cidade nova, mas que resguarda os vestígios do tempo e da história.
Na mostra do fotógrafo Ricardo Teles, a identidade cultural alemã é mostrada num ensaio sobre as colônias do Rio Grande do Sul. O trabalho foi realizado em parceria com o fotógrafo Hans Georg, em 1992, e foi exposto no Museu da Imagem e do Som de São Paulo e no Teatro São Paulo, em Porto Alegre.
Esse trabalho foi retomado por Teles, que decidiu documentar o fenômeno da colonização alemã como um todo, incluindo as colônias dos estados do Espírito Santo e Santa Catarina.
Ricardo Teles trabalha com fotojornalismo e documentação. Tem trabalhos publicados em várias revistas nacionais e estrangeiras. Foi selecionado nos dois eventos Nafoto, do Mês Internacional da Fotografia em São Paulo. Em 1994, recebeu o Prêmio de Estímulo para Fotografia, concedido pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.
Atualmente é fotógrafo da Agência Estado e trabalha para os jornais O Estado de São Paulo e Folha da Tarde.
Imagens de Berlim, Saga - Retrato das Colônias Alemãs no Brasil, Goethe - Um Último Gênio Universal e A Doutrina das Cores de Goethe. Memorial de Curitiba, 3º andar, de 27 de julho a 22 de agosto, de terça a sexta-feira, das 9h às 19h; sábados e domingos, das 9h às 15h.





