O que seria a perfeita adaptação de um videogame, já que a experiência interativa não é o objetivo primordial da sétima arte? Uma pergunta um tanto incômoda, já que ninguém sabe ao certo a resposta. ''Resident Evil: Recomeço'', entretanto, dá um passo adiante nessa questão ao jogar na discussão o uso de avançada tecnologia 3D, a mesma de ''Avatar''. O quarto e novo capítulo da versão cinematográfica do survival horror da Capcom chega hoje ao circuito nacional, também em cópias 2D (ver programação nesta página).
A saber, ''Resident Evil'' elevou o gênero survival horror (isso mesmo, algo do tipo ''sobreviva o quanto puder em um ambiente hostil'') com zumbis e, ao longo dos anos, ganhou complexidade com uma trama cheia de elementos sci-fi. Com o tempo, o terror psicológico deu lugar à ação e as duas últimas edições nos consoles privilegiaram muito mais a jogabilidade com pancadaria e explosões justificadas em temática gore.
O novo longa de Paul Anderson - fã da série, que além de dirigir também assina o roteiro - segue nessa mesma linha. Desta vez, a protagonista Alice (Milla Jovovich) se vê em um mundo devastado pela infecção do T-Vírus, responsável por transformar os humanos em mortos-vivos. Neste cenário, surge a possibilidade de existência de um abrigo para os sobreviventes. E daí ela precisa encontrar esse lugar e descobrir se todas as promessas de paz são realmente verdadeiras.
Logo no início já dá pra notar que Anderson preferiu, com a trama, agradar mais os fãs do videogame do que ficar explicando tudo, afinal de contas esse é o quarto filme da série. Muita coisa acontece apenas nos dez minutos iniciais, inclusive a aparição do grande vilão canastrão Albert Wesker e a perda dos inúmeros poderes de Alice.
Isso gera um pouco de confusão, já que nem todo mundo lembra dos filmes anteriores e muito menos dos detalhes dos jogos. Quem nunca sequer soube o que significa o T-Vírus ou a Umbrella Corporation, a ''corporação vilã'', fica um pouco deslocado também. A boa sacada de Anderson foi dar mais densidade, ainda que escassa, aos coadjuvantes, a exemplo de Luther (Boris Kodjoe) e dos irmãos Chris (Wentworth Miller) e Claire Redfield (Ali Larter).
O que importa mesmo neste ''Resident Evil'' são as imagens. Todas aquelas sequências estapafúrdias de ação - que, diga-se de passagem, funcionam bem nos consoles - agora estão bem alinhadas com a tecnologia 3D. Alice, mesmo sem os poderes, continua desafiando a gravidade e todas as outras leis da física em peripécias improváveis, mas de encher os olhos, especialmente em uma sala IMAX. Numa briga como a que Alice e Claire enfrentam o ''Executioner'' do jogo ''Resident Evil 5'', dá até pra esquecer o roteiro com um machado/martelo enorme vindo em sua direção.
''Resident Evil: Recomeço'' é superior ao anterior e não chega a ser o grande filme de ação do momento. Mas vai agradar os fãs do videogame e de quem esperava por algo mais com o 3D de ''Avatar''. Com a liderança nas bilheterias no final de semana de estreia, nos Estados Unidos, e uma nova animação engatilhada, a série deve ganhar mais sequência para breve. É, a nova tecnologia parece ser mesmo o fôlego que ''Resident Evil'' precisava no cinema.

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