Imaginação sob asas
Jornalista curitibana Jaqueline Conte prepara lançamento de livro inspirado na visita diária de um pássaro à janela de sua casa
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de agosto de 2019
Jornalista curitibana Jaqueline Conte prepara lançamento de livro inspirado na visita diária de um pássaro à janela de sua casa
Marcos Roman - Grupo Folha 
Todos os dias, no início da manhã, a jornalista Jaqueline Conte recebia a visita de um pássaro que ficava se batendo na janela de sua casa em Curitiba. Os possíveis motivos que levavam o visitante a se projetar insistentemente contra o vidro inspirou a paranaense a escrever diversos poemas. Os textos produzidos sobre o fato inusitado estão prestes a bater asas e ganhar o mundo.
Jaqueline transformou a lúdica experiência em uma história poética sobre cumplicidade e inspiração que será contada no livro “Passarinho às oito e pouco”. Na obra, uma mãe escritora conta a história do pássaro visitante ao seu filho aproveitando a oportunidade para passar pra ele o real valor das coisas simples, belas e importantes da vida.
A jornalista que já escreveu outros dois livros infantis (“Na casa amarela do vovô, Joaninja come jujubas” e “Sorriso de Passarinho”) vê com naturalidade a ponte entre o jornalismo e a literatura. “Depois de muitos anos atuando na comunicação, como repórter no jornalismo impresso e como assessora de comunicação (por 12 anos coordenei a comunicação do Ministério Público do Paraná, por exemplo), reconectei-me com a literatura depois de fazer uma pós-graduação em Economia Criativa e Colaborativa. Meu trabalho de conclusão da pós era um projeto de literatura infantil. Ali eu tive certeza de que a literatura falava mais forte. Embora sejam de naturezas diferentes, jornalismo e a literatura tratam de narrativas. Vejo a mudança de trilhos como algo natural”, diz.
Admiradora da poesia de Manoel de Barros e da prosa de José Saramago, Jaqueline afirma não ter um estilo literário pré-definido quando se trata de suas publicações. “Gosto de fazer produções variadas e não me prendo a estilos ou linguagens. Meu primeiro livro é de poemas para crianças ("Na casa amarela do vovô, Joaninja come jujubas"), um livro interativo em papel. O "Passarinho às Oito e Pouco" é um conto, impresso, mas com conteúdo extra, multilinguagens, na internet. "Os jornais de Geraldine", no prelo, é uma novela infantojuvenil. Estou escrevendo agora uma outra novela infanto e terminando um livro de poemas (não infantil). Ou seja, para mim é difícil definir um estilo”, argumenta.
Com mestrado em Estudos de Linguagens pela Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR), a escritora paranaense que também atua como docente acredita que a literatura infantil contemporânea deve encarar a criança como um ser inteligente e com senso estético apurado. “Não se pode subestimar a criança. Os bons livros infantis tocam qualquer ser humano”, ressalta ao fazer uma avaliação do segmento infantil dentro cenário literário nacional. “O mercado em si caiu nos últimos anos em função de um período de paralisação das compras governamentais para as escolas. O Governo ainda tem muito peso nesse mercado. Paralelo a isso, muitas editoras fecharam, redes de livrarias fecharam ou entraram em recuperação judicial. Mas hoje vemos muitas iniciativas paralelas se fortalecendo: coletivos de autores (como o Coletivo Era Uma Vez, do qual eu faço parte), autopublicações, coletivos de editoras infantil (como o Coletivo Alice). Eu sou otimista. As crianças de hoje têm muito mais contato com livros literários do que eu tinha quando era criança. Precisamos produzir livros de qualidade (e existem muitos no Brasil) e propiciar o encanto com a leitura desde a infância”.

Devido à crise enfrentada pelo mercado literário, Jaqueline recorreu a uma campanha coletiva para a publicação do livro “Passarinho às oito e pouco”. Além da versão impressa, o projeto prevê uma versão em inglês e muito conteúdo extra na internet. A adesão à campanha que visa arrecadar um total de R$ 46,4 mil pode ser feita até a próxima quinta-feira (8) pelo site https://asastest.catarse.me/passarinho8
“A campanha é no modelo flex, ou seja, o projeto será concluído mesmo que não atinja a meta. Quanto mais próximos à meta chegarmos, menos investimentos diretos teremos de fazer, já que, por tudo o que inclui, não é um projeto barato. O financiamento coletivo é uma forma de abater custos e também de chegar a leitores que não atingiríamos em um lançamento convencional”, destaca Jaqueline. O lançamento do livro está previsto para o mês de outubro.


